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{ Monthly Archives } July 2008

Tenho o costume de ler diversas coisas ao mesmo tempo e muitas vezes noto semelhanças entre textos diferentes. No caso estou lendo lentamente “Textos Recobrados” ( que ficaram de fora das “Obras Completas” ) de Jorge Luis Borges ( em espanhol – Editora Emecê ) e semana passada comprei uma revista da Biblioteca EntreLivros sobre Machado de Assis … Vejam como um artigo do “Brujo de Palermo Viejo” – publicado na revista espanhola “Cosmópolis” em 1922 – versa sobre assunto semelhante a que se refere a crítica que João Adolfo Hansen tece sobre o “Bruxo de Cosme Velho” :

“Recordemos que Lichtenberg chamou o homem das rastlose Ursachentier, a infatigável besta causal. E se o princípio da causualidade fosse um mito, e cada estado de consciência – percepção, recordação ou idéia – não suspeitasse de nada, não tivesse esconderijos nem raizames com os demais nem significação profunda, e fosse unicamente o que parece ser em absoluta e confidencial inteireza?
(…) Nem o tempo é uma corrente onde se banham todos os fenômenos, nem o eu é um tronco que cingem com rotação pertinaz as sensações e idéias. Um prazer, por exemplo é um prazer, e defini-lo como o resultado de uma equação cujos termos são o mundo externo e a estrutura fisiológica do indivíduo, é um pedantismo incompreensível e prolixo. O céu azul, é céu e é azul (…)
Melhor dito: tudo está e nada é.”

( Jorge Luís Borges – tradução: José Geraldo de Barros Martins )

“A disposição descontínua contrapõe-se à narrativa tradicional de ‘começo-meio-fim’ e contraria a disposição positivista da história, que pressupõe a linearidade da ordem e do progresso. (…)
A técnica torna estranha a familiaridade do princípio de causalidade com que os romances do tempo fundamentam e legitima a memória e o reconhecimento do leitor, pois atinge sua ‘capacidade de recordar para a frente’ “

( João Adolfo Hansen – sobre os romances de Machado de Assis )

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Fui passar o final de semana em Ubatuba e fiz este desenho …

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O ALEATÓRIO MEDO NÃO DÁ, AQUI É SERTÃO, EU SEI DAS ÁRVORES CONTORCIDAS E QUANDO TÊM PLACAS SÃO CHEIAS DE TIROS. OUTROS ALVOS QUE NÃO HUMANOS. A ÚNICA LUZ VÊM DELES. DOS CAMINHÕES DE CANA QUE PARECEM PORCO-ESPINHO.

( Suzana Cano )

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“Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço. – um simples lenço!- e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo.
(…)
O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.
– E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo; – que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu?”

( Machado de Assis )

Segundo a americana Helen Caldwell, esta é a chave para a compreensão de Dom Casmurro … a identificação Desdêmona-Capitu, mostra que inconscientemente que Bentinho sabia que Capitu era inocente … e qual o sobrenome de Bentinho ??? – Santiago … vejam as quatro últimas letras : IAGO (*) : a chave = Bentinho era Iago de si mesmo …
E sabem onde eu ouvi tal teoria : no programa Saia Justa
Pois é, existem programas femininos de altíssimo nível , ao contrário daquele programa fútil , superficial e idiotizado estrelado pela americana magrela que faz propaganda de shopping de emboaba novo-rico … aliás depois que vi ela fazendo aquele comercial terceiro mundista e o Stalone fazendo aquele outro de carro popular, cheguei a conclusão que o império americano está indo pelo beleléu … mas isto já é outra estória …
Parabéns mulheres do Saia Justa !!!

(*) Para quem nunca leu Shakespeare, Iago era o criado de Otelo que através de intrigas terríveis convence o mouro de Veneza que sua esposa Desdêmona o traía ( o que era uma enorme mentira )

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PELA JANELA SE PERCEBE O CLIMA

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Na série de homenagens a Helena Ignez, ( a mais bela e expressiva atriz do cinema brasileiro ), o CINESESC irá exibir amanhã dia 16, um clássico do Cinema Marginal : Os Monstros de Babaloo de Elyseu Visconti Cavalheiro, assisti esta jóia rara em 1983 ou 1984, ( depois nunca mais exibiram ) e achei um dos filmes mais inventivos feitos em terras tropicais … NÃO PERCAM !!!

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Não sou palmeirense (ainda bem) e também não sou descendente de italianos, mas hoje fizemos um prato que muitos “italianinhos paulistanos” nem imaginam o que seja :

SCHIACCIATA DI MANZO CON AGLIO, ROSMARINO E FUNGHI, OU
ROSBIFE COM ALHO ALECRIM E COGUMELOS

Coloque um bife (eu usei contra-filé, mas dá para usar outros cortes) com cerca de 1 cm em um saco plástico e esmague (com rolo, martelo ou outra ferramenta) até a carne ficar quatro vezes mais larga (e menos expessa, é claro)

enquanto realiza esta árdua tarefa tome um negroni = (gin inglês + vermute italiano + campari italiano ) …Então tempere a carne com sal e pimenta-do-reino e coloque os bifes em uma assadeira com um molho de alecrim, azeite extravirgem e alho

coloque a assadeira em forno pré-aquecido por alguns minutos e sirva com lascas de parmesão acompanhado de uma salada de folhas (usei escarola e agrião) e cogumelo (temperado com azeite , vinagre de boa qualidade, sal e pimenta-do-reino)

acompanha um bom vinho tinto !!!

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VIDA PULSANTE EM MEIO A GLACIAL BUROCRACIA CRISTALIZADA

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LAS COLORES OUTOÑALES DE LA PATAGÔNIA

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O SILÊNCIO GOSTAVA DE ESCUTAR A MÚSICA

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