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{ Monthly Archives } March 2009

POR QUE OS MARES SÃO COMO SÃO

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A VÁLVULA DA PANELA GIRAVA

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Saiu o novo número da Tuda … Desta vez além da capa, contribuí também com uma tradução do Mário Benedetti, mas há também muito mais … como por exemplo uma poesia inédita do Arnaldo Xavier …

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O SOL DAS REGIÕES DESÉRTICAS A RESPLANDECER

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CItação do dia:

“For eyes we have no models in the remotely antique. It might have been, too, that in these eves of my beloved lay the secret to which Lord Verulam alludes. They were, I must believe, far larger than the ordinary eyes of our own race. They were even fuller than the fullest of the gazelle eyes of the tribe of the valley of Nourjahad. Yet it was only at intervals –in moments of intense excitement –that this peculiarity became more than slightly noticeable in Ligeia. And at such moments was her beauty –in my heated fancy thus it appeared perhaps –the beauty of beings either above or apart from the earth –the beauty of the fabulous Houri of the Turk. The hue of the orbs was the most brilliant of black, and, far over them, hung jetty lashes of great length. The brows, slightly irregular in outline, had the same tint. The “strangeness,” however, which I found in the eyes, was of a nature distinct from the formation, or the color, or the brilliancy of the features, and must, after all, be referred to the expression. Ah, word of no meaning! behind whose vast latitude of mere sound we intrench our ignorance of so much of the spiritual. The expression of the eyes of Ligeia! How for long hours have I pondered upon it! How have I, through the whole of a midsummer night, struggled to fathom it! What was it –that something more profound than the well of Democritus –which lay far within the pupils of my beloved? What was it? I was possessed with a passion to discover. Those eyes! those large, those shining, those divine orbs! they became to me twin stars of Leda, and I to them devoutest of astrologers. (…)
And thus how frequently, in my intense scrutiny of Ligeia’s eyes, have I felt approaching the full knowledge of their expression –felt it approaching –yet not quite be mine –and so at length entirely depart! And (strange, oh strangest mystery of all!) I found, in the commonest objects of the universe, a circle of analogies to theat expression. I mean to say that, subsequently to the period when Ligeia’s beauty passed into my spirit, there dwelling as in a shrine, I derived, from many existences in the material world, a sentiment such as I felt always aroused within me by her large and luminous orbs. Yet not the more could I define that sentiment, or analyze, or even steadily view it. I recognized it, let me repeat, sometimes in the survey of a rapidly-growing vine –in the contemplation of a moth, a butterfly, a chrysalis, a stream of running water. I have felt it in the ocean; in the falling of a meteor. I have felt it in the glances of unusually aged people. And there are one or two stars in heaven –(one especially, a star of the sixth magnitude, double and changeable, to be found near the large star in Lyra) in a telescopic scrutiny of which I have been made aware of the feeling. I have been filled with it by certain sounds from stringed instruments, and not unfrequently by passages from books.” (*)

( do conto “Ligéia” de Edgar Allan Poe )

(*) “Para os olhos, não encontramos modelos na remota antiguidade. Podia ser, também, que naqueles olhos de minha bem-amada repousasse o segredo a que alude Lorde Verulam. Eram, devo crer, bem maiores que os olhos habituais de nossa raça. Eram mesmo mais rasgados que os mais belos olhos das gazelas da tribo de Nourjahad. No entanto, era somente a intervalos, em movimentos de intensa excitação, que essa peculiaridade se tornava mais vivamente perceptível em Ligéia. E, em tais momentos, era a sua beleza – pelo menos assim surgia diante de minha fantasia exaltada – a beleza de criaturas que se acham acima ou fora da terra, a beleza da fabulosa huri dos turcos. As pupilas eram do negro mais brilhante, veladas por longuíssimas pestanas de azeviche. As sobrancelhas, de desenho levemente irregular, eram da mesma cor. Toda a “estranheza” que eu descobria nos olhos era de natureza distinta da forma, da cor ou do brilho deles e devia ser, decididamente, atribuida à sua expressão. Ah, palavra sem significação, e simples som, por trás de cuja vasta latitude entrincheiramos nossa ignorância de tanta coisa espiritual. A expressão dos olhos de Ligéia. . . Quantas e quantas horas refleti sobre ela! Quanto tempo esforcei-me por sondá-la, durante uma noite inteira de verão! Que era então aquilo – aquela alguma coisa mais profunda que o poço de Demócrito – que jazia bem no fundo das pupilas de minha bem-amada? Que era aquilo? Obsessionava-me a paixão de descobri-lo. Aqueles olhos, aquelas largas, brilhantes, divinas pupilas tornaram-se para mim as estrelas gêmeas de Leda e eu para elas o mais fervente dos astrólogos.
E assim, quantas vezes, na minha intensa análise dos olhos de Ligéia, senti aproximar-se o conhecimento completo de sua expressão! Senti-o aproximar-se, e contudo não estava ainda senhor absoluto dele, e por fim desaparecia totalmente! E (estranho, oh, o estranho de todos os mistérios!) descobri nos objetos mais comuns do universo uma série de analogias para aquela expressão. Quero dizer que, depois da época em que a beleza de Ligéia passou para o meu espírito e nele se instalou como num relicário, eu deduzia de vários seres do mundo material, uma sensação idêntica a que me cercava e me penetrava sempre, quando seus grandes e luminosos olhos me fitavam.
Entretanto, nem por isso sou menos paz de definir essa sensação, de analisá-la, ou mesmo de ter dela uma percepcão integral. Reconheci-a, repito-o, algumas vezes no aspecto duma vinha rapidamente crescida, na contemplação de uma falena, duma borboleta, duma crisálida, duma corrente de água precipitosa. Senti-a no oceano, na queda dum meteoro. Senti-a nos olhares de pessoas extraordinariamente velhas. E há uma ou duas estrelas no céu (uma especialmente, uma estrela de sexta grandeza dupla e mutável, que se encontra perto da grande estrela da Lira) que, vistas pelo telescópio, me deram aquela sensação. Sentindo-me invadido por ela ao ouvir certos sons de instrumentos de corda e, não poucas vezes, ao ler certos trechos de livros.”

Obs.: Vejam como Poe foi precursor tanto de Borges quanto de Machado de Assis, entre outros… se alguém ler o trecho final deste fragmento do conto “Ligéia” e não souber que seu autor foi o gênio de Baltimore, vai achar que quem escreveu foi o brujo de Palermo, quanto ao Bruxo do Cosme-Velho, (que chegou até a traduzir “O Corvo”), será que os olhos de Ligéia não prenunciam os olhos de Capitu???

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AS CIVILIZAÇÕES SUBMERSAS NOS MARES SELVAGENS DA ESPECULAÇÃO FINANCEIRA

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O RAIO ILUMINADOR ABALANDO OS ALICERCES DO CAPITALISMO VIDEO-FINANCEIRO

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UM ICEBERG EM MEIO AS AREIAS ESCALDANTES

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Em dois de março de mil novecentos e nove, ou seja a 100 anos, nascia meu avô paterno José Vitalino de Barros Martins: o adolescente que falava latim durante as refeições aos dez anos de idade, o herói da revolução de 1932, o fundador de um império literário denominado Livraria Martins Editora (que publicou Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Vilém Flussler, Oswald de Andrade, Graciliano Ramos, Menotti Del Picchia, Jorge Mautner, etc.), o homen que bebia Romanné Conti, o grande conhecedor de sambas antigos, um grande avô e uma adorável pessoa …
No início dos anos oitenta ele me chamou uma tarde e me deu um pedaço de papel cartão , onde escrevera a mão o texto abaixo :

HOMENAGEM A SÃO VITALINO
no
REINO DE SÃO PAULO
no
ANO DO SENHOR DE 2080
na
CAPITAL DO REINO

SÃO VITALINO (SANTO E MÁRTIR)
Viveu no século XX , sendo o segundo santo paulista . Sua canonização deu-se após a elevação ao culto de Santo Adhemar , o santo do povo, isto é , o primeiro populista elevado a essa glória . Dedicou sua vida ao apostolado da cultura , procurando alfabetizar os escritores da então República do Brasil , na qual ainda estava integrado São Paulo . Sofreu , com grande estoicismo e martírio nas mãos ( ou nas contas ) dos banqueiros e financeiros (!) de sua época .

Programa das homenagens em honra de
SÃO VITALINO
Em 2 de março de 2080 .

1) Leitura em praça pública da virtuosa vida do santo , que apesar de martirizado pelos poderosos de seu tempo, recusou-se sempre a ingerir vinho do Brasil ou whisky engarrafado nesse país .
2) Sermão alusivo a data por Don José Henrique de Barros Martins , tataraneto do santo e bispo de Trabiju .
3) Solene Te Deum , a ser cantado na catedral paulista , tendo sido escolhido o de autoria de Hector Berlioz , apresentado pela primeira vez em Paris no ano de 1855 em Saint-Eustache . O conjunto encarregado dessa apresentação é composto por 900 figurantes orquestrais e um coro de 600 vozes . Escolheu-se este hino de graças em relação a modéstia do santo , sempre demonstrada em vida .
4) Inauguração solene da Nova Praça da Sé , que totalmente reformada e moldada ao espírito do santo , receberá o nome de Largo do Vitalino , santo e mártir .

Todas as solenidades serão presisidas por Don Lenine Evaristo Kossakov Cardeal Primaz do Reino de São Paulo .

Obs. : Pede-se a todas as pessoas que utilizarem asas plásticas ou metálicas para seu transporte pessoal , guardá-las no Asário Público no novo Largo do Vitalino .

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Citação do dia:

“Poe concebia Deus como um poeta. O universo, portanto, era uma criação artística, um poema composto por Deus. Sendo o universo um poema, a reação apropriada a ele deveria ser estética e as criaturas de Deus se harmonizariam com Ele na medida em que sua imaginação se enlevasse pela beleza e harmonia da sua criação. E não adorar a beleza, não considerar divino o conhecimento poético seria dar as costas a Deus e cair na desgraça.
Segundo o mito do cosmos de Poe, o planeta Terra fez justamente isso. Caiu e se distanciou de Deus por exaltar a razão científica acima da intuição poética, e por fiar-se no fato material em vez do conhecimento visionário. Os habitantes da Terra então se corromperam pelo racionalismo e pelo materialismo; suas almas adoeceram; e Poe vê essa doença do espírito humano contaminando a natureza física. Os bosques e prados e águas da Terra perderam assim sua beleza original e deixaram de expressar a imaginação de Deus; a paisagem privou-se da perfeição primeira de sua composição, na mesma proporção em que os homens perderam sua capacidade de perceber o belo.
Sendo a Terra um planeta em desgraça, a vida sobre ela é necessariamente um tormento para o poeta… e sua alma é oprimida por tudo o que há ao seu redor.
… Seu único recurso é abandonar qualquer preocupação com as coisas terrenas e dedicar-se o mais exclusivamente possível a visões extraordinárias com a esperança de, em lampejos, encontrar a beleza paradisíaca que é o pensamento de Deus.”

( Richard Wilbur )

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