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{ Monthly Archives } January 2010

VAMOS CIRCULAR NA PRAÇA

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PLUVIOSE LATENTE

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METRÓPOLE RESPLANDESCENTE

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O meu bar agora está com nova raridade… um gin de fundo de quintal moçambicano, presenteado-me por meu cunhado … é isto mesmo: chama-se Lawidzani… quero ver se alguns dos meus amigos bebedores se aventuram a uma dose…

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PIES AND BEERS AND SMILES

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Estou lendo “Febre de Bola” de Nick Hornby – Editora Rocco, um relato autobiográfico que versa sobre a sua obsessão pelo Arsenal, a vida do autor é narrada através dos jogos de futebol… gozado é que passei a assistir alguma coisa do que se passou no futebol inglês entre 1968 e 1991… gostei de ver o craque irlandês Liam Brady… vejam o que ele fez neste jogo…(*), vejam também uma descrição resumida que Nick Hornby fez da partida:

(*) Liam Brady é o camisa 7 do Arsenal, que neste jogo joga com o uniforme parecido com o do escrete canarinho… reparem que os três gols nascem de jogadas dele… e por falar em escrete canarinho, lembrem-se que Brady fez o gol da vitória na única vitóra da seleção da ilhinha sobre a seleção de Pindorama (na época comandada por Carlos Alberto Silva) no Lansdowne Stadium em Dublin…

WEMBLEY IV – A CATARSE

“ARSENAL vs MANCHESTER UNITED (em Wembley) 12/5/79

Eu não tinha absolutamente nenhuma ambição pessoal antes de fazer 26 ou 27 anos, quando resolvi que podia e iria viver de escrever, larguei meu emprego e fiquei esperando que os editores e/ou produtores de Hollywood me ligassem e pedissem que eu fizesse alguma coisa para eles no escuro. Meus amigos na faculdade devem ter perguntado o que eu pretendia fazer na vida (…) mas o futuro ainda me parecia tão inimáginável e desinteressante (…) de modo que não faço idéia do que posso ter respondido.
(…)
Talvez eu não tivesse nenhuma idéia para mim mesmo, mas tinha grandes idéias para os meus times de futebol. Dois desses sonhos, o ascenso do Cambridge United da Quarta para a Terceira Divisão, e depois da Terceira para a Segunda – já haviam sido realizados. Mas a terceira – e mais ardente – ambição, a de ver o Arsenal ganhar a Taça da da Liga em Wembley (…) ainda permanecia irrealizada.
(…) O Arsenal marcou duas vezes no primeiro tempo, sendo o gol de abertura aos 12 minutos (pela primeira vez em quatro jogos eu via o Arsenal abrir uma vantagem em Wembley) e o segundo gol pouco antes do apito; o intervalo se transformou em 15 minutos abençoadamente relaxados de comemoração ruidosa. Grande parte do segundo tempo transcorreu da mesma forma, até que a cinco minutos do fim o Manchester marcou…e a dois minutos do fim, numa câmara lenta traumatizante e confusa, marcou de novo. (…)
Naquela tarde eu estava tomando conta de um garoto americano, um amigo da família e a sua suave solidariedade e óbvia perplexidade só realçavam de forma constrangedora a minha angústia: eu sabia que aquilo era apenas um jogo, que coisa piores aconteciam em alto mar, que havia gente morrendo de fome na África, que talvez ocorresse um holocausto nuclear nos meses seguintes, sabia que o placar estava em 2 a 2, pelo amor de Deus, e que havia chance do Arsenal descobrir um jeito qualquer de sair da lama (embora soubesse também que a maré havia virado, e que os jogadores estavam com o moral baixo demais para ganhar o jogo na prorrogação). Mas nada que eu sabia podia me ajudar. Estivera a apenas cinco minutos de realizar a única ambição plenamente formada que já possuíra conscientemente desde a idade de 11 anos: e se as pessoas podem se lamentar quando são passadas para trás numa promoção, ou quando deixam de ganhar o Oscar, ou quando seus romances são rejeitados por tudo que é editor em Londres, (…) mesmo quando essas pessoas só vêm sonhando estes sonhos há dois anos, e não há uma década inteira, metade de uma vida como eu vinha sonhando o meu – então, tinha direito de me sentar num pedaço de concreto por dois minutos e tentar conter as lágrimas.
E realmente foi só por dois minutos. Quando o jogo recomeçou Liam Brady invadiu a intermediária do Manchester com a bola (mais tarde ele disse que estava exausto, e tentando apenas impedir que sofrêssemos mais um gol) e lançou-a na lateral para Rix. Eu estava assistindo a tudo isso, mas sem ver nada, mesmo quando Rix fez o cruzamento e o goleiro do Manchester, Gary Bayley não conseguiu espalmar, não estava prestando muita atenção. Mas aí Alan Sunderland meteu o é na bola e a enfiou-a lá dentro, bem dentro daquele gol ali na nossa frente (…)”

( Nick Hornby – tradução: Paulo Reis )

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CASAIS CALEDESCÓPICOS

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Eis aqui o conto publicado na TUDA:

O GUITARRISTA E O DICIONÁRIO

Hilário Hidelbrando entrou naquele bar decadente, escolheu uma mesa, pediu uma cerveja e uma porção de filé-aperitivo acebolado. Naquela época (início da década de noventa) não havia aquela mania malcheirosa da picanha no recháud… Nunca havia ido lá… ficou reparando na freguesia: na mesa da direita um bando de jovens sem educação… na mesa da esquerda uma morena exuberante lendo um livro silenciosamente… ficou achando que aquela molecada iria aborrecê-lo, afinal ele havia ido àquele lugar pois ouviu dizer que o lendário guitarrista Lanny Gordin iria se apresentar … Hilário Hidelbrando sempre quis vê-lo tocar, porém esse músico que fora fundamental na fase pós-tropicália, havia se afastado do cenário musical (não se esqueçam que este miniconto se passa no período retromencionado). O nosso protagonista era obsecado por três coisas: pela guitarra de Lanny Gordin, pela língua falada pelos bandeirantes, a hoje extinta Língua Geral Paulista, também conhecida como Tupi Austral, uma derivação do tupiniquim falado pelos índios de São Vicente e da região do alto do Tietê… Para Hilário Hidelbrando, assistir um show do Lanny Gordin seria como folhear o único dicionário da Língua Geral Paulista escrito até hoje: o raríssimo “Glossaria Linguaram Brasiliensium” escrito por autor desconhecido no século XVIII e publicado por um alemão chamado Von Martius em 1863… mas isto sim, era praticamente impossível pois segundo consta o único exemplar se encontrava em uma biblioteca holandesa. A terceira obsessão dele era encontrar um par perfeito… “Uma mulher como a da mesa em frente” pensou… Um pouco antes dele pedir a segunda cerveja o show começou… Era o Lanny mesmo, em carne e osso… como o repertório do grupo que se apresentava na casa era samba, o ilustre guitarrista não solava , mas fazia o acompanhamento (guitarra base) com maestria: uma sucessão de blocos de acordes que demonstravam um formidável domínio harmônico naquele estilo em que outros guitarristas também brilharam (Barney Kessel, Larry Coryell, Hélio Delmiro, etc). No momento do intervalo dos músicos um dos integrantes da mesa barulhenta pediu a guitarra emprestada e fez um daqueles solos de rock bem previsíveis cheios de clichês e riffs manjados… a namorada achava o máximo os amigos aplaudiam entusiasmados… Quando o grupo voltou para a segunda parte do espetáculo, o guitarrista veio até a mesona e falou: – Vocês gostam de rock??? Então aumentou o volume da guitarra e começou fazer um solo cheio de distorsões em que a linha melódica seguia nos caminhos mais variados, naquele estilo em que somente um certo guitarrista brilhou…

O pessoal da mesa grande ficou mudo… então no meio daquele solo de guitarra maluco tocado a todo volume, ele olhou para ela e reparou que a morena exuberante o observava…

Quando a situação se normalizou ela se levantou foi até a mesa dele falou: -“Sei que você está incomodado com a mesa vizinha, mas também ninguém merece ficar ao lado deste povo barulhento, se você quiser pode sentar na minha mesa, meu nome é Núbia Nanira…”

– “Belo nome … o meu é Hilário Hidelbrando.”

Ele se levantou e foi sentar com ela… “Reparei que você está gostando desse livro…” disse ele – “Que livro é???” – “É um dicionário que veu avô me deu… é sobre a língua falada pelos paulistas no início da colonização… Você sabia que os bandeirantes não falavam português???”

“Sim ,eu sei… existiam duas línguas gerais: a Língua Geral Paulista, falada pelo pessoal de São Paulo, Minas e Goiás e a Língua Geral Amazônica, ou nheengatú, falada pelos habitantes do Maranhão e Pará… o português era falado só no trecho entre o Rio de Janeiro e Piauí…deve ser por isto que São Paulo tem muito mais topônimos indígenas do que o Rio…pouca gente sabe que, por exemplo, que por mais de um século, (mais precisamente entre meados do século XVII e o final do século XVIII), os paulistas e cariocas não falavam literalmente a mesma língua… mas mudando de assunto, deixe-me ver o livro, pois que eu saiba só existe um dicionário da Língua Geral Paulista, que se chama “Glossaria Linguaram Brasiliensium” e há somente um único exemplar que está guardado em um museu da europa…”

Desculpe, mas você está enganado …meu avô, quando lecionava na Faculdade de Letras de Assis, vasculhava as bibliotecas públicas do interior de São Paulo e descobriu um segundo exemplar na Biblioteca Municipal de Trabijú… Neste instante ela fechou o livro (que permanecia aberto sobre a mesa) e ele pode ler na capa: “Glossaria Linguaram Brasiliensium”!!!

Eu não acredito!!! Eu tenho duas obsessões: ouvir um show daquele guitarrista ali da frente e ler este livro magnífico…

Na verdade não haviam duas, mas três obsessões, e a terceira estava diante dele, Ele então resolveu pedir outra cerveja, coincidentemente a terceira… A conversa engrenou…

Hilário Hidelbrando querendo impressionar Núbia Nanira, disse o nome do bairro dele traduzido do tupi para o português: -“Eu moro no bairro da árvore velha” – “Há! No Ibirapuera…“ respondeu ela prontamente…

O nosso protagonista ainda impressionado com o fato da nossa protagonista saber tupi, emendou: – “E você onde mora???”

– “No bairro dos gafanhotos verdes”

– “Não conheço muito o Tucuruvi, é legal???”

– “Sim… se quiser conhecer eu te mostro”… disse ela entregando em seguida o telefone escrito (com a caneta emprestada pelo garçon) em um guardanapo de papel.

Hoje Hilário Hidelbrando e Núbia Nanira estão felizes… se casaram, tiveram um filho e semana que vem vão batizar a criança… só não sabem ainda em que língua será escrito o convite… afinal “batizado de criança” é “moiasúk pitánga” em tupiniquim , “seróka mitangá” na língua geral paulista ou “serok taína” em nheengatú….

Observação: Toda esta estória é pura ficção, a inserção de pessoas reais mescladas a personagens fictícios é mero recurso literário, por sinal já utilizado por grandes escritores.

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Já saiu a nova TUDA. Desta vez tomei vegonha na cara e publiquei um conto inédito… além dos artigos dos tradicionais e geniais colaboradores, a revista faz homenagem aos seis anos do falecimento do amigo e poeta Arnaldo Xavier com um poema inédito, uma versão para o inglês de um poema do Arnaldo feita pelo Eduardo Miranda e um ensaio sobre o poeta feito pelo Ronald Augusto…
Há ainda duas outras novidades, a primeira é que agora há também vídeo, e muito bom por sinal… trata-se de um trecho do documentário “Vou Vender Meu Samba” de Ana Paula Guimarães e Eduvier Fuentes Fernández sobre o sambista Renato Borgomoni…
E a outra novidade: finalmente fiz o ex-libris da TUDA:

Vejam a simbologia:

1) o globo significa a internet, afinal trata-se de um revista eletrônica
2) o pandeiro à esquerda significa o Brasil
3) a harpa à direita significa a Irlanda (a revista é editada em Dublin, para quem não sabe)
4) o coringa engravatado significa que os colaboradores (senão todos pelo menos a maioria) tem um trabalho paralelo, afinal sobreviver de arte é tão complicado em Pindorama quanto na ilhinha…
5) no mais é uma brincadeira com o ex-libris da Livraria Martins Editora, vejam que mantive a caracterização metade claro/metade escuro, só que substituí o livro pela revista (afinal TUDA é uma revista) e o trigo pela taça de vinho (esta última substituição com certeza teria a total aprovação de meu avô, fundador da editora retro-mencionada)… veja o ex-libris da Livraria Martins Editora:

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Na Tv Globo até a Dalva de Oliveira tem sotaque carioca…

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