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{ Monthly Archives } August 2010

baralho

O REI DO BARALHO

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ninando

A GEOMETRIA DO SONO

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aperitivo

A ESPIRITUALIZAÇÃO HIPERBÓLICA ANTE A TÓRRIDA BANALIDADE TECNOLÓGICA

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Citação do dia:

O dever, o trabalho, a função do poeta são colocar em evidência essas forças de movimento e de encantamento, esses excitantes da vida afetiva e da sensibilidade intelectual em ação que, na linguagem usual, são confundidos como sinais e meios de comunicação da vida comum e superficial. O poeta consagra-se e consome-se, portanto, em definir e construir uma linguagem dentro da linguagem…

( Paul Valéry )

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Citação do dia:

“O público é uma criança mal-educada que é preciso corrigir.”

( Paul Verlaine )

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OS PERFUMES AUTÓCONES RESISTINDO A PADRONIZAÇÃO DAS VONTADES GEOGRÁFICAS

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Hoje vai um genial artigo histórico-culinário escrito dias atrás pelo meu sogro, um talentoso jornalista e cozinheiro de mão-cheia:

A CANJA

Consta dos anais da Historia que o Imperador D.Pedro I gostava muito de canja. “Meu Império por um prato fundo de canja”, teria bramado em uma certa tarde em que a cozinha do palácio não lhe preparara o acepipe. Não era, contudo, uma canja qualquer que apetecia ao augusto personagem. Que não lhe viessem com uma simples e plebéia canja elaborada a partir de uma não menos plebéia galinha igual àqueles milhares de outras que ciscavam e cacarejavam pelas quintas do sonolento Rio de Janeiro daquele tempo. Mas então, há de estar a perguntar-se o amável leitor e a gentil leitora, qual seria a ave a ser abatida para o fazimento do imperial caldo, ou “cardinho”, como preferem alguns e algumas. Sim, por que não havia, como continua não havendo, que se pensar em ir às panelas com a intenção de preparar uma canja, de modo outro a não ser pelo cozimento de uma ave. De resto, nem suíno, nem vaca, nem pescado, nem caça de pelo, nem qualquer outra vianda poderia ser sequer cogitada pelos mestres cozinheiros da corte para elaboração do majestático “cardinho”. Porque ocorre, paciente leitor e atenta leitora, Pedro, o Imperador, gostava mesmo era de canja feita com um bom, honesto e caipiríssimo MACUCO. Muito naturalmente a informação nos remete à pergunta inevitável: E o que vem a ser um macuco ? – O macuco, apressamo-nos em esclarecer, é uma ave das matas brasileiras, pertencente à família dos tinamídeos, e chega a pesar, quando adulta, cerca de dois quilos. Sua carne é branca e muito saborosa o que o fez, através dos tempos, alvo preferencial de trabucos de todas as espécies e calibres. Abundante outrora, escasseia atualmente nas nossas também já raras (e ralas) matas. O que ainda não acontecia, porém, na capital do Império por que o Rio era então cercada de rica a luxuriante mata nativa onde ainda viviam e procriavam tranquilamente exemplares de toda nossa exuberante fauna , incluindo o recém-apresentado personagem, o macuco.

E era de canja de macuco que o Imperador gostava. E, como soe acontecer em casos dessa natureza, não faltava entre os serviçais do palácio quem se dispusesse a sair todos os dias à caça do pobre avejão, para que também todas as tardes, aí por volta das cinco horas, aias e mordomos prestimosos pudessem levar ao amo e senhor a reconfortante sopa. E que não a aviassem com outra ave que não o macuco. Dizia-se até que certa feita um novo e descuidado cozinheiro francês atreveu-se sugerir que canja de galinha seria algo muito mais civilizado , adequado e à altura de um nobre da estirpe de Pedro. A reação deste foi pronta e tempestuosa, tendo o pobre mestre cuca sido esfogueteado de volta à sua Gália natal no primeiro galeão que zarpou rumo a terras d’Europa.

– E dê-se o biltre por muito afortunado por estar eu em dia de bons humores, por que se me pilha em dia de azedume, passo-o a fio de espada, ou peór. Irra… os tipos que me aparecem…Onde já se viu, canja de galinha…cáspite !!!

Que fique, assim, claro que canja que se preze tem que ser de macuco. Palavra de Imperador.

Contudo, como as informações mais recentes nos dão conta de que de uns tempos para cá a ave em questão está em falta nos supermercados do centro e da periferia, e diante da constatação de que os viajantes que vendem macucos não têm dado o ar da sua graça nos Dpt/Compras dos ditos estabelecimentos, e como, de outra parte, não nos é possível e nem tampouco recomendável sair por aí, de espingarda ao ombro, à cata de um macuco disposto a levar chumbo, parece-nos mais ajuizado e, sobretudo, consentâneo com os tempos de Ibama que vivemos atualmente, pensar em uma canja de galinha, ou de frango, que é o que se encontra nos frigorificados balcões dos Amigões e Abilinhos da praça.

Isto posto e sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Ingredientes:

500 gramas de sobre-coxa de frango sem pele e cortada ao meio. Cabe aqui uma pequena digressão: Sempre que se fala em canja nunca falta um ou outro palpiteiro para afirmar com ares de profunda sabedoria culinária, que o peito de frango é ingrediente fundamental no preparo de uma canja à altura desse nome. Conversa mole de quem não sabe nada. O peito é a parte mais insossa e sem graça do frango e, quando cozida, fica dura e com gosto de rolha. Logo, não deve ser usada na canja (em nada, aliás, por que,embora com sabor de rolha, sequer se presta para tampar garrafas). O certo é a sobre-coxa, que é de seu natural mais tenra e saborosa. Ademais, e sempre é bom lembrar, o ossinho que faz parte da peça contribui em muito para acrescentar sabor ao prato. Nada de peito, portanto. Fim da digressão.

2 a 3 colheres de óleo de milho

1 batata de tamanho médio.

1 cebola também de tamanho médio.

3 dentes de alho argentino ou brasileiro do Rio Grande ou de Piedade-SP. Outra digressão: alhos chineses, daqueles brancos, graudões, não prestam. Alho chinês não tem cheiro, não tem sabor e, numa palavra, deve ser considerado algo como lixo.

1 xícara das de chá de macarrão tipo conchinha da marca Renata.

Uma pitadinha de açafrão.

1,5 colher, das de sopa, de fubá mimoso.

Sal, pimenta, ervinhas e outros condimentos, a gosto.

Preparo

Em uma panela de pressão aqueça o óleo e dê uma fritada rápida no alho. Em seguida junte a cebola e refogue bem. Feito isso, junte o frango e dê-lhe uma frigida rápida. Junte mais ou menos um litro e meio de água previamente aquecida, tampe a panela e deixe ferver por algo entre 15 e 20 minutos (cada fogão é uma historia). Abra a panela. O Frango já deve estar cozido. Junto o macarrão e a batata, que você já deve ter descascado e picado em cubinhos. Acrescente mais um meio litro de água previamente aquecida. Junte os temperos que desejar (vale caldo de galinha e congêneres). Cuidado com o sal. Acrescente o bocadinho de açafrão. Em seguida, é só ferver, em fogo médio e com a PANELA ABERTA, por mais uns 10 minutos (cada fogão tem um temperamento ou temperatura) e, quando estiver tudo bem cozido e experimentado, junte a colher e meia de fubá previamente dissolvida em um bocadinho de água fria. Mais dois ou três minutos e está pronta a canja. Tampe a panela e deixe descansar (pra “chegar”), aí por uns deis minutos e ponto final.

A esta altura já estou a ouvir o vozerio de protesto de umas e outras que aos brados reclamam:

– Isso não é canja, nem aqui nem na Espanha !!! – Isso não passa de uma sopinha de conchinha muito da mixuruca !!! Eu quero é canja com arroz e pedaços de peito de frango meio que desfiando !!!

Diante disso, cabe-me obtemperar que, como comprovadamente o peito do frango tem sabor de cortiça, como não temos e tampouco viremos a ter, em futuro próximo ou remoto, um bom, honesto e gordo macuco disponível, como não encontramos nos “classificados” dos jornais anúncios de caçadores de macucos dispostos a mudar essa realidade e, sobretudo, como por Decreto Imperial canja não pode ser de galinha mas sim de macuco, fica estabelecido que, como não somos imperadores e muito menos temos macucos, a nossa canja deve ser preparada seguindo-se a receita acima detalhada. Que é, ademais, a sopa de que o autor mais gosta. O arroz é detalhe sem importância na feitura de canja. O arroz é bom pra fazer paella e à moda carreteiro. E também pra comer com feijoada. Ou com filé com molho de mostarda. Não faz falta na canja. O certo é macarrão de conchinha. Renata.

E Estamos conversados.

( José Moralez )

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dolores

A VOZ DE DOLORES DURAN FLUINDO ATRAVÉS DAS TRANSMISSÕES RADIOFÔNICAS…

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OS RICOS TAMBÉM BABAM

– Fabrício Olegário Ulbrich? Você por aqui?

– Nossa… você é o Marcelo Aparício Demócrito, não? Quanto tempo… nossa como você está mudado…

– É… é a vida… e você o que tem feito?

– Eu? Ora agora minha vida é muito atribulada… depois de anos trabalhando em corretagem de imóveis, resolvi investir na Bolsa de Valores, com o lucros comprei uma fazenda e me dediquei a pecuária, não satisfeito passei também à agricultura, então resolvi criar uma transportadora, depois uma empresa de jatinhos e helicópteros, como vi que alguns sujeitos estavam enriquecendo com futebol resolvi comprar uma porcentagem dos passes de alguns jogadores que estavam surgindo, quando estes foram vendidos ao exterior, consegui faturar um bocado, mas na verdade não gosto de futebol, minha paixão é a Fórmula 1, como tornei-me amigos dos principais chefes de equipes e de alguns pilotos, consegui um bom din-din vendendo os espaços dos carros e dos macacões dos pilotos para os patrocinadores, como o meu nome estava em evidência no meio automobilístico montei uma rede de concessionárias, uma fábrica de amortecedores e tornei-me também o representante no Brasil de uma das maiores fabricantes de veículos do sudeste asiático, depois te conto o nome da empresa, mas não é só isso não… resolvi passar adiante a chave do meu sucesso, afinal seria muito egoísmo de minha parte não dividir com o mundo os processos mentais de planejamento empresarial que me tornaram um dos maiores bilionários do planeta, então lancei uma série de livros sobre o assunto, uma autobiografia em 5 volumes, e também abri uma universidade, mas não é só isso não, tem muito mais…

Fabrício Olegário continuou por cerca de 10 minutos a discorrer sobre os outros ramos de negócios nos quais se enveredara, sempre com sucesso, é lógico… para que este mini-conto não se tornasse uma novela, resolvi suprimir a continuação do relato… Então após ouvir tudo pacientemente, Marcelo Aparíco perguntou:

– Mas e sua vida pessoal? O que você tem feito?

– Passo muito pouco tempo do ano em São Paulo, na verdade fico entre o Guarujá, Miami e Mônaco, onde convivo com o pessoal da Fórmula 1… como tenho vários carros de rico, Ferrari, Porsche, BMW, Mercedes, etc… pertenço a clubes de proprietários de veículos, onde nos reunimos para discutir o desempenho de nossas máquinas…

– Mas BMW é carro de rico? Pensei que carro de rico fosse só Ferrari, Jaguar, etc…

– Ora, meu amigo, como dizia um finado apresentador de TV, dependendo do modelo é, dependendo do modelo não… mas obviamente só tenho os modelos mais caros…

– Mas voltando a sua vida pessoal, você continua casado?

– Não, separei-me… e sabe de uma coisa? Foi a melhor coisa que fiz, pois após a separação a minha vida se tornou muito mais divertida… sabe que minha vida profissional é um tédio em comparação com minha vida sexual… deixe eu te contar só um pequeno episódio… sabe aquela ex-modelo que se tornou a primeira dama da França? Pois bem, uma vez nós…

Neste instante aparecem os enfermeiros do Hospital Psiquiátrico e convidam gentilmente os pacientes a retornarem aos seus quartos, um deles, Rubão, um verdadeiro armário em forma humana, comenta com seu colega de trabalho adiposo:

– Sabe Laércio… eu tenho pena destes caras… o único que não me causa pena, mas somente um profundo desprezo é este babaca que acha que é milionário…

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Já saiu a nova TUDA. Tem poema genial e inédito do Arnaldo Xavier, uma bela crônica do Roniwalter Jatobá, tem também a poesia de Pedro Du Bois, a tradução de um poema de Jan Nepomuk Neruda (*) feita pelo Eduardo Miranda, tem também uns poemas de Paulo Leminski, entre tantas coisas igualmente geniais… E tem também mais o mais novo mini-conto e sua respectiva ilustração!!!

(*) O tcheco Jan Nepomuk é o verdadeiro Neruda, o chileno na verdade chamava-se Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, e adotou o pseudômino de Pablo Neruda em homenagem a Jan…

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