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{ Monthly Archives } October 2010

teamo

BALAÚSTRES DO PARAÍSO

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paz

PAZ DE ESPÍRITO FLUTUANTE

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O ASSUNTO É CINEMA

Não vi “Tropa de Elite I” nem vou ver “Tropa de Elite II”… este neo-cinema-novo-favelo-narcotrafizado não me agrada… em compensação fui assistir “Luz Nas Trevas”, a continuação de “O Bandido da Luz Vermelha” dirigido por Helena Ignez e Ícaro Martins, baseado em roteiro de Rogério Sganzerla. O filme é muito bom: a continuação dos ideais cinematográficos do gênio de Joaçaba, transpostos para a realidade atual: boa montagem, ótima música ( Paulo Sérgio, Lanny Gordin, boleros, etc), atuações geniais… e o mais interessante é que a estrutura do “Bandido da Luz Vermelha” foi mantida, com diversas colagens… uma pena é que não aproveitaram o material com o Pagano Sobrinho e Roberto Luna (talvez seja devido a problemas com direitos autorais)… a cena do “O Bandido da Luz Vermelha” em que Luna canta “Molambo” na boite Bambu (*) é ao meu ver uma das melhores do antigo filme, poderia ser “colada”no filme atual… mas mesmo com um ou outro deslize, por exemplo: a cena do Ney Matogrosso contando “Sangue Latino” no alto do edifício Copan poderia ser suprimida, ou mesmo modificada (escolhendo outra música), mas mesmo assim trata-se de um grande filme: Assistam!!!

(*) Funciona até hoje, fica atrás do Cube Sírio, junto a Av. Rubem Berta.

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sangria

TAPAS, SANGRIAS & CERVEJAS

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dodecafo

E A FONTE A CANTAR: CHUÁ, CHUÁ

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A MÚSICA DOS TROMBONES

( Reparem que a forma é idêntica ao desenho anterior, só mudam as cores e a ausência de transparências)

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arenque

FUSÕES DE PLANOS CINEMATOGRÁFICOS SOBRE O CENTRO DE SÃO PAULO

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plurabelle

A MINHA COMPANHEIRA

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SOBRE LEITURAS

“O senhor vai me dizer que a literatura não consiste unicamente em obras-primas mas está, sim, povoadas de obras ditas menores. Eu também acreditava nisso. A literatura é um vasto bosque e as obras-primas são os lagos, as árvores imensas ou estranhíssimas, as eloquentes flores preciosas ou as grutas escondidas, mas um bosque também é composto de árvores comuns, de matagais, de charcos, de plantas parasitas, de cogumelos e florezinhas silvestres. Eu me enganava. As obras menores, na realidade não existem. Quero dizer: o autor de uma obra menor não se chama fulaninho ou cicraninho. Fulaninho e cicraninho existem, disso não há dúvida, e sofrem e trabalham e publicam em jornais e revistas e de vez em quando publicam um livro que não desmerece o papel em que está impresso, mas esses livros ou esses artigos, se o senhor olhar com atenção, não são escritos por eles.
Toda obra menor tem um autor secreto, e o autor secreto é, por definição, um escritor de obras primas.”

( Roberto Bolaño – tradução Eduardo Brandão )

Acabei de ler “2666”, de Roberto Bolaño (Editora Companhia das Letras – tradução: Eduardo Brandão – 852 páginas). É um livraço, embora para mim a obra-prima deste chileno mexicanizado seja “Os Detetives Selvagens”. O livro é dividido em cinco partes, mas todas as partes convergem para Santa Teresa (cidade fictícia que muitos identificam como Ciudad Juaréz, mas que geograficamente fica um pouco mais a oeste), onde ocorre uma série de assassinatos de mulheres. Numa das notas encontradas nos arquivos do escritor, há uma que afirma que existe um “centro oculto” de “2666” que se esconde debaixo do “centro físico” da obra. O “centro físico” é muito fácil de identificar: é obviamente Santa Teresa, quanto o “centro oculto” muitos acham que é a data fictícia de 2666. Eu acho que não, que o “centro oculto” do livro é a loucura… Há vários personagens loucos, no decorrer da estória (não vou citar estes episódios para não estragar a surpresa de futuros leitores); e o ponto central do livro, a série de assassinatos, só pode ser fruto de uma sociedade ensandecida, de uma época maluca… talvez a chave disso tudo é uma coisa que ninguém reparou (ou não me lembro que alguém tenha reparado): o personagem Olegário Cura Expósito (apelidado de Lalo Cura) é filho de uma índia que transou com dois estudantes perdidos pelo norte do México em 1976… Ou seja Lalo Cura poderia ser filho ou de Arturo Belano ou de Ulisses Lima (personagens de “Os Detetives Selvagens”), e deste fato poderíamos deduzir que La Locura (A loucura) dos anos 90 e início do século XXI seria fruto da geração “easy ryder” das décadas de 60 e 70… Será???

Li também neste feriado o conto “O Espelho” de Machado de Assis, que meu pai afirma que tem muitos pontos convergentes com o meu mais recente mini-conto, publicado abaixo… e agora me bateu uma terrível dúvida: será que o bruxo de Cosme Velho (Machado) e el Brujo de Palermo (Borges) não são os autores secretos deste “O Espelho” aqui publicado

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O ESPELHO

Joelma Valdomira possuia todos os atributos femininos, exceto um… ela não gostava de se olhar no espelho… apesar de sua vaidade e do seu extremo bom gosto ao se maquiar, o ato matinal de se arrumar diante do espelho era um enorme martírio… e sabem por quê??? É que depois dela ter lido aquele texto denominado “Animais dos Espelhos”, que Jorge Luis Borges e Margarita Guerrero incluíram em “O Livro dos Seres Imaginários”, ela se arrepiava toda quando tinha que encarar sua imagem refletida no espelho do banheiro… O texto conta a estória de uma época em que o mundo dos espelhos e o mundo dos homens não estavam incomunicáveis, além disso eram mundos bastante diferentes; até que um dia em que o pessoal do mundo dos espelhos resolveu invadir o nosso mundo… após terríveis batalhas o Imperador Amarelo rechaçou os invasores, encarcerou-os no outro lado e como penalidade privou-os de suas figuras e os obrigou a repetir todos os gestos dos homens… um dia virá em que as criaturas dos espelhos deixarão de nos imitar e iniciarão uma nova revolução…

Como a nossa protagonista ficara muito impressionada com esta leitura, ela morria de medo de que algum dia sua imagem parasse de imitá-la… seria o início do caos…

Passado o tormento matinal, ela tomava seu café da manhã, este por sinal sempre requintado (suco de grapefruit, melão cortado em cubos com presunto crú, pão caseiro e chá inglês com uma rodela de limão siciliano), e depois rumava para o escritório onde tormentos menores a esperavam… Ela trabalhava em uma firma que gerenciava estacionamentos… logo ela que se formara psicanalista, logo ela que lera a obra de Lacan em francês, logo ela que sempre sonhou com ambientes mais requintados… porém alguma coisa em seu destino a empurrava para o ralo… e não era só no emprego não… seu noivo, por exemplo era um perfeito boçal: Domênico Dagobertini, gerente de uma concessionária de veículos, um sujeito falante, na verdade falante até demais, que se enturma com qualquer um após cinco minutos de conversa, que apesar da falta de leitura e do português ruim, possui um raciocínio rápido (principalmente no que tange a trocadilhos sexuais), que conversa sobre todos os assuntos, e é capaz de conceber as teorias mais absurdas… Uma delas, foi a teoria que bolou para provar para sua noiva que para ela o oficio de gerenciamento de estacionamentos era muito mais honesto do que a prática da psicanálise: pois ninguém muda de verdade, então o cara paga uma fortuna fazendo análise por anos a fio e no fim das contas é o mesmo sujeito, ou seja o cliente paga por uma mudança que na verdade nunca ocorre, enquanto que com o estacionamento se dá exatamente o contrário: o cara paga para que o carro fique da mesma maneira como está, sem riscos na pintura, sem roubo do som, sem pneus furados, etc. e quando o cliente volta para o estacionamento o carro está do mesmo jeito: logo um dono de estacionamento é muito mais honesto que um psicanalista, pois um promete que não haverá mudanças com o carro do cliente e cumpre, enquanto que o outro promete uma mudança que nunca ocorre…

É um tremendo mistério como Joelma Valdomira foi ficar noiva de um sujeito como este, mas ela começou a se cansar… um dia se cansou dele, do emprego, de sua falta de coragem, da rotina, de tudo…

Não foi trabalhar, passou a tarde passeando, entrou em uma livraria e viu um rapaz bastante atraente se aproximar perguntando se não tinha “O Livro dos Seres Imaginários” de Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero… ela ficou muda…

– Desculpe-me, achei que você fosse vendedora…

– Não faz mal, eu te ajudo a procurar…

E assim começou uma conversa que terminou com a tradicional troca de telefones…

A noite deu uma desculpa qualquer para Domênico Dagobertini, e ficou sozinha em seu apartamento. Preparou um “fettuccine a alfredo”, que comeu degustando duas taças de vinho syrah… foi dormir cedo.

Sonhou que passeava pelo centro de São Paulo com o rapaz da livraria, depois de percorrer vários locais eles entraram no Bar do Léo na Rua Aurora, lá dentro tudo estava diferente, era muito maior, as cortinas eram de veludo grená, os lustres eram de cristal, ao fundo se ouvia um tango, se sentaram em uma mesa, de repente quem estava em sua frente não era mais o rapaz da livraria, mas Jorge Luis Borges em pessoa… olhou para mesa e reparou que no guardanapo de papel estava escrito “Café Tortoni.”.. então Borges explicou a ela que “aquele texto, “Animais dos Espelhos”, era uma metáfora; na verdade, os seres que estão detrás dos espelhos somos nós… somos nós que estamos condenados a imitar nossas projeções sociais, a repetir este teatro cotidiano que se chama sociedade… somente quando pararmos de imitarmos a nós mesmos, (ou aquilo que acreditamos que sejam nós mesmos) é que seremos realmente livres…”

Então Joelma Valdomira acordou e soltou uma sonora gargalhada!!!

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