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{ Tag Archives } literatura

Seminário do Ratos – Lygia Fagundes Telles

Ganhei este exemplar autografado na primavera de 1986 e agora reli… Bom, porém desigual… mas tem três contos geniais: “A Sauna”, “A Mão no Ombro” e “A Consulta” … aliás o primeiro livro dela “Praia Viva” foi editado pela Livraria Martins em 1944.

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Sepulcros de Vaqueros – Roberto Bolaño -Editora Alfaguara – Ainda inédito em Pindorama, este livro póstumo do escritor chileno mexicanizado, reúne três novelas: “Patria”, “Sepulcros de Vaqueros” e “Comedia del horror de Francia”… As duas primeiras relatam o golpe militar, com personagens de outros livros, na primeira temos o poeta aviador Carlos Ramírez (personagem de “Estrela Distante”) enquanto na segunda temos o jovem poeta Arturo Belano (personagem de “Detetives Selvagens”)… porém a terceira novela é a melhor de todas… uma estória passsada na Guiana Francesa sobre grupos de escritores surrealistas… logo mais deve sair no Brasil!!!

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Associação dos Solitários Anônimos -Rosário Fusco -Ateliê Editoral

Leiam a epígrafe:

“Assim como o sobrenatural é o reverso do natural, o supra-real é o outro lado do real, o por-detrás.
Eis por que tudo que existe, sendo natural, é real.
Mas nem todo o real é existente.”

(Rosário Fusco)

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Los Sinsabores del Verdarero Policía – Roberto Bolaño – Anagrama… este livro foi publicado em Pindorama pela Companhia das Letras em 2013: As Desventuras do Verdadeiro Tira.
Este livro é uma espécie de complemento da obra prima do mesmo autor: 2666, sendo que vários personagens estão presentes em ambos livros. Temos o passado do professor de literatura Amalfitano, um resumo das obras de escritor Arcomboldi, etc…
Alguns personagens deste livro também são encontrados em “Chamadas Telefônicas” como o soldado andaluz que serviu na legião azul (voluntários espanhóis que lutaram na segunda guerra) e o pistoleiro Pancho Monge ( que em 2666 chama-se Lalo Cura)…
Considero que este é um bom livro do Bolaño, e mesmo que seja inferior a “Detetives Selvagens” e “2666”, tem vários momentos geniais…
A imagem pode conter: texto

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Um dos maiores clássicos da literatura mundial é o livro “A Sombra do Vulcão” de Malcolm Lowry… fiz questão de relê-lo aos pés do vulcão Villarrica

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Acabei de ler “Jaqueta Branca ou O mundo em um navio de guerra” de Herman Melville – tradução Rogério Bettoni – Editora Carambaia.

Nesta obra, Melville baseado em sua experiência como tripulante da Marinha Norte-Americana, descreve o microcosmo do dia-a-dia de um navio, que partindo da costa do Pacífico contorna o Cabo Horn, faz uma pausa no Rio de Janeiro (quando nosso imperador Pedro II visita a embarcação) e retorna à Boston. À primeira vista seria um livro entediante, porém quem escreve bem sabe escrever… além de metáforas geniais, o autor faz uma crítica à hipocrisia da disciplina da marinha.

Na verdade , amigo leitor, mon frère, o melhor trecho do livro é o capítulo final, mas não quero ser um estraga-prazeres e contar o fim do livro, então vai aqui um trecho no qual o autor imagina uma cena do juízo final dos navios de guerra de todas as épocas ambientada na baía de Guanabara:

“Arquipélago Rio! Antes de Noé ancorar sua arca no velho Ararate, ancoraram em ti todas essas ilhas verdes e rochosas que agora vejo. Mas Deus não construiu em vós, ilhas, aquelas longas ilhas de baterias , tampouco nosso abençoado Salvador foi padrinho de batismo da carrancuda Fortaleza de Santa Cruz, ainda nomeada em homenagem a ele, o Príncipe da Paz!

Anfiteatro Rio! Em sua ampla extensão poderiam acontecer a Ressurreição e o Dia do Juízo dos navios de Guerra do mundo todo, representados pelas capitânias das frotas – as capitânias das galés armadas fenícias de Tiro e Sidon; das esquadras do rei Salomão que todo ano navegavam rumo a Ofir, de onde, tempos depois, talvez zarparam as frotas de Acapulco dos espanhóis, cheias de lingotes de ouro como lastro; de todas as embarcações gregas e persas que trocaram o abraço bélico na ilha de Salamina; de todas as gales romanas e egípcias que, como águias, escorrendo sangue pelas proas, bicaram-se em Áccio; de todas as quilhas dinamarquesas dos vikings; dos rápidos torpedeiros de Abba Thule, rei do Palau, quando partiu para conquistar Artingall; de todas as frotas venezianas, genovesas e papais que se uniram na batalha de Lepanto; dos dois cornos da crescente Armada Espanhola; da esquadra portuguesa que, sob o comando do galante Gama, castigou os mouros e descobriu as Molucas; de todas as frotas holandesas lideradas por Van Tromp e naufragadas pelo almirante Hawke; dos 47 navios de linha franceses e espanhóis que, durante três meses, tentaram tomar Gibraltar; de todos os navios de 74 canhões de Nelson, que bombardearam São Vicente, o Nilo, Copenhague e Trafalgar; de todos os navios da Companhia das Índias Orientais; dos brigues de guerra, corvetas e escunas de Perry que dispersaram as forças britânicas no lago Erie; de todos os corsários berberes capturados por Bainbridge; das canoas de Guerra dos reis polinésios, Tammahammaha e Pomare – sim!, todos juntos, com o comodoro Noé como seu lorde grande almirante; nessa abundante baía do Rio, todas essas captânias poderiam ancorar e balancar em harmonia até chegar a primeira onda do dilúvio.”

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HOMENAGEM A ANTÕNIO CÂNDIDO

Quando foi esteve na FLIP de 2011 em Paraty, Antônio Cândido disse que
era o último amigo vivo de Oswald de Andrade… disse também que havia
um editor que injustamente estava esquecido: José de Barros Martins,
meu avô, cuja Livraria Martins Editora, publicou, tanto a primeira
obra de Antônio Cândido, “Brigada Ligeira” (1944) quanto a mais
famosa: “Formação da Literatura Brasileira” (1959)… devido a este
pronuncimento na FLIP, a Revista da Biblioteca Mário de Andrade
publicou em seu número 97, uma matéria sobre o meu avô, na qual
Antônio Cândido contribuiu com um artigo… na verdade além de ser o
último amigo vivo de Oswald de Andrade, ele também era o último amigo
vivo de meu avô…

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paprika

LAS OLAS SON MI VERKLÄRTE NACHT

Não costumo explicar meus títulos, mas este merece uma explicação: é uma homenagem a um livro que estou lendo, no caso “La borra del café” de Mário Benedetti (que ainda não foi traduzido para o português). Aqui vai o trecho que me inspirou

“As vezes fico longos momentos junto ao vendaval. É uma maravilha escutar as ondas. Parecem todas iguais entretanto cada uma traz um som distinto e seguramente também uma mensagem distinta. Pensar que falo três línguas e todavia não entendo as ondas! Quanto nos falta para alfabetizar-mos! Me conformo dizendo que apesar de tudo isto não é tão importante. O som do mar é uma música, e quem pode entender o idioma musical de Brahms, de Bach e de Schoenberg? Eles não compuseram para que nós os entendessemos, mas para que nos os desfrutássemos. As ondas são meu Verklärte Nacht(*)”

( Mario Benedetti – tradução: José Geraldo de Barros Martins )

(*) Verklärte Nacht ( A Noite Transfigurada ) é uma peça de Arnold Schoenberg.

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Sobre livros:

Acabei de ler “Ar de Dylan” de Enrique Vila-Matas, livraço… interessante que tem uma passagem que fala sobre o fim do mundo, assunto tão em voga nestes últimos dias:

“… Débora comentou, e perguntou se eu sabia que o filósofo sueco Swedenborg havia escrito, em fins do século XVIII, que o dia do Juízo Final havia ocorrido em 9 de janeiro de 1757. Eu sabia, respondi. Swedenborg foi o primeiro homem a nos avisar que o Juízo já havia ocorrido, disse ela, é verdade, respondi, também acredito que esse Juízo, de fato, já ocorreu; é curioso como os informativos da televisão, por exemplo jamais levam em conta esse dado, é como se informassem sem saber que, por exemplo a Revolução Francesa aconteceu já faz alguns anos.”

(Enrique Vila-Matas)

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“SOMOS O COLETIVO GERAÇÃO PERGUNTA.
O DIA PARA DESOBEDECER ORDENS.
PASSATEMPO DE NÓS MESMOS.
MISTÉRIOS DE NUNCA ONDE.

SOMOS O RESTO DA VIDA.”

(Suzana Cano)

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