Skip to content

{ Tag Archives } literatura

O DUELO – Joseph Conrad – Tradução: Eduardo Marks de Marques – Editora Grua Livros

Acabei de ler “O Duelo” de Joseph Conrad… uma novela sobre uma série de duelos entre dois oficiais franceses durante as guerras napoleônicas e o periodo da restauração… vale a pena ler… é uma metáfora sobre nossa manias de eleger inimigos em nossos meios profissionais por meras picuinhas…

Also tagged

O LEOPARDO – Lampedusa – Tradução­: Leonardo Codignoto – Editora Nova Cultural.

Giuseppe Tomasi di Lampedusa é um daqueles escritores de uma única obra… pertencente a uma família nobre (tornou-se o príncipe de Lampedusa) sua vida não foi só de conforto… combatente do exército italiano na primeira guerra mundial, foi preso e levado para o campo de prisioneiros de Szombathely, na Hungria, de onde escapou atravessando a Europa de volta à Itália…
“O Leopardo” é um romance histórico ambientado na Sicília na época da
unificação da Itália, na passagem da dinastia dos Bourbons para a dinastia dos Savóia.

Aqui vai uma passagem do livro:

“O príncipe havia tido muitos aborrecimentos naqueles últimos meses: tinham vindo de toda parte, como formigas ao assalto de uma lagartixa morta. Alguns haviam nascido nas fendas da situação política; outros haviam-lhe sido atirados para cima pelas paixões alheias, outros ainda (e eram os mais pungentes) haviam brotado de si mesmos, das suas reações irracionais perante a política e os caprichos do próximo (…) ; e todos os dias passava em revista estas preocupações, fazia-as manobrar, juntar-se em coluna ou dispor-se em fila na praça de armas de sua consciência, esperando vislumbrar nestas evoluções qualquer finalidade que pudesse tranquilizá-lo, mas não o conseguia. Nos anos anteriores, os aborrecimentos eram em número menor e, de certo modo, a estada em Donnafugata constituía um periodo de repouso; os desgostos baixavam o fuzil, dispersavam-se pelas anfractuosidades dos vales e aí ficavam tranquilamente entretidos a comer pão e queijo; de tal forma que era esquecida abelicosidade de seu uniforme e podiam ser tomados por pastores ofensivos. Pelo contrário, este ano, haviam ficados juntos e eram como tropas revoltadas que vociferassem, brandindo as armas: sentia o temor de um coronel que houvesse gritado “dispersar” e que visse depois o regimento mais cerrado e ameaçador do que nunca.”

Also tagged

PERAMBULE – Fabrício Corsaletti – Editora 34.

Mantendo a tradição dos bons cronistas brasileiros como Antônio Maria, Rubem Braga, etc… a maioria das crônicas eu já havia lido na extinta revista dominical da Folha de São Paulo… A imprensa escrita deveria voltar a publicá-lo, pois seus escritos fazem falta..

Also tagged

RUMBO AL MAR BLANCO (In Ballast to the White Sea) – Malcolm Lowry – Tradução para o espanhol: Ignacio Villaro – editora Malpaso

Em junho de 1944 a cabana que Malcolm Lowry vivia com sua segunda esposa Margerie Bonner, na Colúmbia Britânica (Canadá) pegou fogo… sua esposa conseguiu salvar os manuscritos de sua mais famosa obra, “A Sombra do Vulcão” (Under the Volcano), mas não deu para salvar o manuscrito com cerca de mil folhas de “In Ballast to the White Sea” que ele estava escrevendo desde 1931. Porém foi descoberta em 1988, a existência de uma versão incompleta desta obra, que Lowry deixara com sua primeira esposa Jan Gabrial em 1936…
Nesta versão com 383 páginas, embora apresente um desfecho, a parte final é tratada de um forma esquemática… mas podemos observar o estilo de Lowry em um romance marinho (embora as citações a Melville sejam frequentes, os personagens parecem ter as inquietações dos personagens de Conrad)… para quem nunca leu nada dele eu recomendo ler antes “A Sombra do Vulcão”, mas quem já tiver lido e apreciado o romance ambientado no México, “In Ballast to the White Sea” é uma boa pedida… (existe uma edição portuguesa “Rumo ao Mar Branco” que pode ser encomendada nas melhores livrarias).

Also tagged

DA RELIGIOSIDADE – A LITERATURA E O SENSO DE REALIDADE – Vilém Flusser – Editora Escrituras – 2002 Este livro é uma coletânea de ensaios, cuja escolha “obedeceu a um critério vagamente temático, que é o seguinte: a literatura, seja ela filosófica ou não, é o local no qual se articula o senso de realidade”, como explica o autor… Nestes ensaios, este brilhante (no sentido mineralógico) filósofo tcheco, versa sobre a religiosidade, a dúvida, Kafka, a poesia concreta e Guimarães Rosa, entre outras coisas… Quem quiser uma palhinha, pode ler primeiro dois contos de Guimarães Rosa Fita verde no cabelo (Nova velha estória)
As Garças:

https://rl.art.br/arquivos/6182745.pdf?1512593288

e depois ver os ensaios de Flusser sobre estes contos

http://www.flusserbrasil.com/art347.pdf

http://www.flusserbrasil.com/art348.pdf

Quem quiser se aprofundar na filosofia flusseriana pode acessar o site abaixo onde são encontrados textos em português, ingles, francês e alemão…

http://www.flusserbrasil.com/

Also tagged

MÁQUINAS COMO EU – Ian Mc Ewan – tradução Jorio Dauster – Companhia das Letras.

Este livro é passado em um fictício ano de 1982, quando a Inglaterra perde a guerra das Malvinas, os Beatles se reúnem e lançam um novo disco “Love and Lemmons” e o matemático Alan Turing (aquele do filme “Código de Imitação”) não se suicida e se torna um gênio da computação e sua empresa lança no mercado os primeiros robôs… o protagonista do livro resolve comprar um destes primeiros robôs e programa metade de sua personalidade… a outra metade ele deixa a cargo de sua namorada…
Um livro essencial em nosso presente em que as máquinas cada vez mais interagem em nosso cotidiano.

Also tagged

Finalmente terminei de ler “O Arco-íris da Gravidade” de Thomas Pynchon – Companhia das Letras – tradução de Paulo Henriques Britto.., Valeu a pena desbravar estas 731 páginas com cerca de 400 personagens… provavelmente ele é o maior escritor vivo… é um livro daqueles que temos que reler de tempos em tempos.
Vejam uma brilhante descrição desta magnífica obra aqui

https://sabotagem.net/o-arco-%C3%ADris-da-gravidade-797014b…

Observação: Quando Felipe Siqueira postou seu artigo acima o livro estava fora de catálogo , mas em 2017 foi lançada uma segunda edição.

Also tagged

SILVIA NASTARI – O PROJETO GRÁFICO DA COLEÇÃO BIBLIOTECA DA LITERATURA BRASILEIRA, PUBLICADA PELA LIVRARIA MARTINS EDITORA NAS DÉCADAS DE 1940 E 1950

Existem pessoas que, tal qual mergulhadores que desafiam as profundidades oceânicas para resgatar tesouros marinhos que jazem nos fundos dos mares; se embrenham em sebos, livrarias, arquivos digitais, etc, para resgatar tesouros culturais, que permaneceriam esquecidos… com certeza, nos céus deve haver um lugarzinho reservado para estas pessoas, pois o resgate da memória é uma forma de minimizar o nosso subdesenvolvimento (“país subdesenvolvido não tem memória”, já dizia o ditado).

Uma destas pessoas é Silvia Nastari, que elaborou uma tese de mestrado sobre o projeto gráfico da coleção Biblioteca de Literatura Brasileira, publicada pela Livraria Martins Editora nas décadas de 1940 e 1950, que foi criada por meu ilustre avô José de Barros Martins.

Esta coleção foi ilustrada pelos melhores artistas plásticos da época: Tarsila, Anita Malfatti Alberto Guignard , José Wash Rodrigues, Santa Rosa, Clóvis Graciano, Francisco Acquarone, Darcy Penteado, Di Cavalcanti, Aldemir Martins, etc… que  estão nas páginas de livros como “A Moreninha”,  “Iracema”, “Marília de Dirceu”, “Vida e Morte do Bandeirante”, “Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens”; “Casa Velha”, “Os Escravos”, “Memória de um Sargento de Milícias”, “O Ermitão de Muquem”, “O Garimpeiro”, “Noite na Taverna”, “Macário”, “Lourenço” etc…

Além das capas e ilustrações, dentre muitas coisas, a tese de Silvia Nastari mostra as capitulares (letras no início da obra, de maior dimensão que o restante corpo do texto) da coleção, feitas por Tarsila, Darcy Penteado, Aldemir Martins, etc…

Hoje, ao visitei meu pai, e pude contemplar sua tese, fiquei encantado… quem se interessar pode ir à biblioteca da FAU-USP e apreciar este brilhante trabalho…

Also tagged

Malcolm Lowry – Detrás del Volcán – Editora Gallo Nero. Este livro contém a correspondência de Malcolm Lowry com seu editor Jonathan Cape, que queria que o escritor suprimisse trechos de seu romance “A Sombra do Vulcão”. Lowry em sua longa carta explica, capítulo por capítulo, explicando por que não iria retirar nem uma vírgula… O editor, não respondeu, mas publicou o livro tal qual seu autor queria… para o bem da literatura.

Also tagged

O Segundo Arco-íris Branco – Haroldo de Campos – Editora Iluminuras – um apanhado de ensaios literários e traduções com destaque para o Livro de Jó, Sóror Inés de La Cruz, James Joyce, Wallance Stevens e Júlio Cortázar, aliás no texto sobre o genial escritor argentino, Haroldo de Campos faz uma brilhante análise de “Jogo de Amarelinha” e traduz o poema Zipper Sonnet, um dos maiores poemas da língua hispânica.

Also tagged