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{ Tag Archives } literatura

HOMENAGEM A ANTÕNIO CÂNDIDO

Quando foi esteve na FLIP de 2011 em Paraty, Antônio Cândido disse que
era o último amigo vivo de Oswald de Andrade… disse também que havia
um editor que injustamente estava esquecido: José de Barros Martins,
meu avô, cuja Livraria Martins Editora, publicou, tanto a primeira
obra de Antônio Cândido, “Brigada Ligeira” (1944) quanto a mais
famosa: “Formação da Literatura Brasileira” (1959)… devido a este
pronuncimento na FLIP, a Revista da Biblioteca Mário de Andrade
publicou em seu número 97, uma matéria sobre o meu avô, na qual
Antônio Cândido contribuiu com um artigo… na verdade além de ser o
último amigo vivo de Oswald de Andrade, ele também era o último amigo
vivo de meu avô…

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LAS OLAS SON MI VERKLÄRTE NACHT

Não costumo explicar meus títulos, mas este merece uma explicação: é uma homenagem a um livro que estou lendo, no caso “La borra del café” de Mário Benedetti (que ainda não foi traduzido para o português). Aqui vai o trecho que me inspirou

“As vezes fico longos momentos junto ao vendaval. É uma maravilha escutar as ondas. Parecem todas iguais entretanto cada uma traz um som distinto e seguramente também uma mensagem distinta. Pensar que falo três línguas e todavia não entendo as ondas! Quanto nos falta para alfabetizar-mos! Me conformo dizendo que apesar de tudo isto não é tão importante. O som do mar é uma música, e quem pode entender o idioma musical de Brahms, de Bach e de Schoenberg? Eles não compuseram para que nós os entendessemos, mas para que nos os desfrutássemos. As ondas são meu Verklärte Nacht(*)”

( Mario Benedetti – tradução: José Geraldo de Barros Martins )

(*) Verklärte Nacht ( A Noite Transfigurada ) é uma peça de Arnold Schoenberg.

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Sobre livros:

Acabei de ler “Ar de Dylan” de Enrique Vila-Matas, livraço… interessante que tem uma passagem que fala sobre o fim do mundo, assunto tão em voga nestes últimos dias:

“… Débora comentou, e perguntou se eu sabia que o filósofo sueco Swedenborg havia escrito, em fins do século XVIII, que o dia do Juízo Final havia ocorrido em 9 de janeiro de 1757. Eu sabia, respondi. Swedenborg foi o primeiro homem a nos avisar que o Juízo já havia ocorrido, disse ela, é verdade, respondi, também acredito que esse Juízo, de fato, já ocorreu; é curioso como os informativos da televisão, por exemplo jamais levam em conta esse dado, é como se informassem sem saber que, por exemplo a Revolução Francesa aconteceu já faz alguns anos.”

(Enrique Vila-Matas)

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“SOMOS O COLETIVO GERAÇÃO PERGUNTA.
O DIA PARA DESOBEDECER ORDENS.
PASSATEMPO DE NÓS MESMOS.
MISTÉRIOS DE NUNCA ONDE.

SOMOS O RESTO DA VIDA.”

(Suzana Cano)

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“Ir a um coquetel em San Juan significava encontrar tudo o que há de mesquinho e ganancioso na natureza humana. Sua pretensa sociedade não passa de uma horda estonteante e barulhenta de ladrões e vigaristas pretensiosos, um show de horrores entediante repletos de fraudes, palhaços e filisteus com mentalidades mancas.”

(Hunter S. Thompson – Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado) – L&PM Pocket –

Neste final de semana li o livro Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado – Hunter S. Thompson Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado (L&PM Pocket -253 páginas)… fui assistir o filme também: Diário de Um Jornalista Bêbado (The Rum Diary) dirigido por Bruce Robson… a adaptação cinematográfica é um desastre: funde dois personagens em um (*), acrescenta várias coisas que não tem no livro (algumas de humor para adolescentes-mentais) e altera o final… achei que o grande ator Johnny Deep, por ter sido amigo pessoal de Hunter Thompson iria interpretar magistralmente e personagem Paul Kemp (um alter-ego do escritor), mas ledo engano, o único personagem que se salva é o fotógrafo Bob Sala interpretado por Michael Rispoli…
Esqueçam o filme e fiquem com o livro: é mais poético, mais divertido e menos estereotipado… e custam o mesmo valor: o ingresso do cinema custou os mesmos dezenove reais da edição de bolso…

(*) No livro o namorado da personagem Chernault é Yeamon, um jornalista maluco, sem dinheiro e valentão, enquanto que o ex-jornalista e jovem empresário Sanderson apresenta tendências homossexuais, no filme estes dois personagens são fundidos em uma única pessoa, o que altera toda a estória… no livro também não existem brigas de galos, apostas, cenas de carro em alta velocidade, etc.

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Estou lendo “Padre Antônio Vieira – Essencial” uma coletânea de textos deste escritor organizada por Afredo Bossi – Penguin Companhia – 752 páginas…É muito interessante como muitos textos de Vieira são atuais, veja por exemplo este pequeno trecho do “Sermão da Sexagésima” proferido em 1655… nele o padre se refere aos sermões proferidos pelos outros padres, que em vez de focar um só assunto ficam a discorrer sobre uma infinidade de coisas e perdem o fio da meada… hoje, mais de três séculos após, as mais diversas mídias agem como os maus pregadores do passado: lançam uma multiplicidade de informações sem se aprofundar em nada a confundir as mentes desta pobre geração boçalizada por esta nova “cultura” superficial e fragmentária… leiam abaixo as palavras proféticas deste gênio da literatura:

“O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: Exiit, qui seminat, seminare semen. Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há-de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? – Uma mata brava, uma confusão verde. Eis aqui o que acontece aos sermões deste género. Como semeiam tanta variedade, não podem colher coisa certa. Quem semeia misturas, mal pode colher trigo. Se uma nau fizesse um bordo para o norte, outro para o sul, outro para leste, outro para oeste, como poderia fazer viagem? Por isso nos púlpitos se trabalha tanto e se navega tão pouco.”

(Padre Antônio Vieira)

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DEVO DIGERIR TAMBÉM AS PESSOAS QUE NÃO CONSEGUEM ENTENDER MAIS FRASES GRANDES NEM PARÁGRAFOS LONGOS. E SEM SABER PONTUAR UM TEXTO UM RACIOCÍNIO UM BEIJO PERGUNTAM O QUE FAÇO. EM VERDADE SOU PARTE DISSO. DESSE ETERNO JOGO DE CRUZAMENTO VERBAL CÉTICO E ANÁLISE CIENTÍFICA DESILUDIDA. MAS AINDA VAMOS PARA ALGUM LADO, O DE DENTRO, ESPERO.

( Suzana Cano )

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O homem é emissor natural de sons: a voz (a fala e o canto). Mas também os produz com instrumentos: uma pedra, um ferro, batidos contra alguma coisa; os meios de fazer música, a máquina…(o ruído máquina).
A máquina é útil. Não seu ruído, pior se exagera ou não se modera. Freqüentemente, nem se modera, nem se controla, nem se reprime. Produz, em quem o gera, uma euforia de poder (poder agressivo?).

(Antônio Di Benedetto – tradução: Maria Paula Guirgel Ribeiro)

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“Soy argentino, pero no he nacido en Buenos Aires.
Nací el Día de los Muertos de año 22.
Música, para mi, la de Bach y la de Beethoven. Y el “cante jondo”.
Bailar no sé,nadar no sé, beber sí sé. Coche no tengo.
Prefiero la noche. Prefiero el silencio.”

( Antonio Di Benedetto )

Agora estou lendo as obras de Antônio Di Benedetto… para muitos que não sabem um dos maiores escritores sul-americanos, elogiado por Borges, amigo por correspondência de Roberto Bolaños (leiam o conto “Sensini” do livro de Bolaños ainda não lançado em Pindorama, denominado “Llamadas Telefonicas) e muito mais… para começar li “Os Suicidas” (Tradução: Maria Paula Gurgel Ribeiro – 2005 – Editora Globo – 164 páginas) … agora estou lendo uma edição argentina chamada “Cuentos Completos” Editora Adriana Hidalgo – 2009 – 705 páginas)… o romance é bom, mas como contista Di Benedetto revela-se melhor (ainda não li “Zama”, considerado seu melhor romance, de modo que esta última opinião pode ser modificada)… porém seja como contista, seja como romancista, trata-se de um importante criador… dica: existe um livro de contos de Antonio Di Benedetto lançado em português: “Mundo Animal” … leiam!!!

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Citações do dia:

 

“Montmartre

E os moinhos do frio

As escadas atiram almas ao jazz de pernas nuas

 

Meus olhos vão buscando

Como gravatas achadas

 

Nostalgias brasileiras

São moscas na sopa de meus itinerários

São Paulo de bondes amarelos

E romantismos sob árvores noctâmbulas

 

Os portos de meu país são bananas negras

Sob palmeiras

Os poetas de meu país são negros

Sob bananeiras

As bananeiras de meu país

São palmas calmas

Braços de abraços desterrados que assobiam

E saias engomadas

O ring das riquezas

 

Brutalidade jardim (*)

Aclimatação

 

Rue de La Paix

Meus olhos vão buscando gravatas

Como lembranças achadas.”

 

( Oswald de Andrade – Memórias Sentimentais de João Miramar )

 

(*) Reparem que o termo “Brutalidade Jardim”  foi novamente utilizado,desta vez como citação, na letra que Torquato Neto fez para a canção “Geléia Geral”, musicada e gravada por Gilberto Gil no álbum da Tropicália

 

“É a mesma dança na sala

No Canecão, na TV

E quem não dança não fala

Assiste a tudo e se cala

Não vê no meio da sala

As relíquias do Brasil

Doce mulata malvada

Um LP de Sinatra

Maracujá, mês de abril

Santo barroco baiano

Super poder de paisano

Formiplac e céu de anil

Três destaques da Portela

Carne seca na janela

Alguém que chora por mim

Um carnaval de verdade

Hospitaleira amizade

Brutalidade, jardim (…)

 

( Gilberto Gil – Torquato Neto / Geléia Geral )

 

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