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{ Tag Archives } literatura

República Luminosa – Andrés Barba – tradução Antônio Xerxenesky -Editora Todavia

Boa ficção sobre o aparecimento de 32 crianças violentas na cidade fictícia de San Cristóvão… é curioso como estão surgindo livros sobre crianças deslocadas da atual sociedade… como o recém publicado “Arquivo das Crianças Perdidas” da mexicana Valeria Luiselli. Embora não tendo atingido um nível de linguagem tão elaborado como na obra de Luiselli, este livro de Andrés Barba merece ser lido…

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Embora não seja tão genial como “Arco-Íris da Gravidade”, vale a pena ler este livro: uma estória de detetive no estilo Dashiell Hammet e Raymond Chandler ambientada na Califórnia no início da década de 70… este livro mostra o final da época hippie, pós Charles Manson, início da internet (apranet) e o que viria a ser a década de 70… escrito naquele estilo de Thomas Pynchon com vários personagens e aquela trama tão complicada que um leitor mais atento sempre acha que tem algo oculto que ele não entendeu… Uma coisa que me surpreendeu foram as músicas citadas no livro, não as mais conhecidas como as de Tom Jobim, Frank Sinatra, The Beatles, Beach Boys, The Doors, Fats Dominó, Frank Zappa, etc., mas grupos e cantores que para mim eram desconhecidos como Trashmen, The Marketts, The Bonzo Dod Doo-Dah Band, Tiny Tim, Dion, Blue Cheer, etc… para quem quiser se aprofundar acesse este link e procure as músicas no streaming… divirtam-se!!!

https://inherent-vice.pynchonwiki.com/wiki/index.php…
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O SOM E A FÚRIA – William Falkner – tradução: Paulos Henriques Britto – Companhia das Letras

Em 1922 James Joyce publicou “Ulisses” que se passava em um único dia: 16/06/1904, relatando o cotidiano de um corrector de anúncios, de sua esposa e de um estudante em Dublin… em 1947 Malcolm Lowry publicou “A Sombra do Vulcão”, que se passava em 02/11/1938 relatando o último dia de um consul inglês alcoólotra em Guernavaca… No meio tempo entre a publicação destas obras, William Falkner ganhou um prêmio Nobel publicando um livro que se passa em quatro dias: 07/04/1928 (relantando um dia de uma pessoa com problemas mentais), 02/06/1910 (relatando o último dia de um suicida, irmão do primeiro), 06/04/1928 (relatando um dia de um picareta mau caráter, irmão dos dois anteriores) e 08/04/1928 (relatando um dia da empregada da família)… embora ocorra a evidente influência de Joyce na obra de Faulkner, podemos observar algumas inovações na obra do norte-americano, a principal: o fluxo de consciência não se dá somente no presente, mas também no passado… é uma leitura que começa difícil, pois a primeira seção é contada por uma pessoa com problemas mentais e temos vários personagens com o mesmo nome (*)… porém com o passar da obra vai ficando mais fácil… Enfim é um desses livros (como os anteriormente citados) que necessitam várias releituras… nesta edição temos também um relato do tradutor Paulos Henriques Britto (que fez um brilhente trabalho) e um pósfacio de Jean-Paul Sartre sobre a questão do tempo na obra de Faulkner.

O título do livro vem da frase de Shakespeare “A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, sem sentido algum”, que a primeira vista se referere a Benjamin (o protagonista da primeira parte). Porém se analisarmos atentamente, tanto Quentin quanto Janson (os protagonistas das partes seguintes) são igualmente idiotas…

Eis aqui uma das passagens mais brilhantes, que está no início da segunda parte:

“Era o relógio de meu avô, e quando o ganhei de meu pai ele disse Estou lhe dando o mausoléu de toda esperança e todo desejo; é extremamente provável que você o uso para lograr o reducto absurdum de toda experiência humana, que será tão pouco adaptado às suas necessidades individuais quanto foi às dele e às do pai dele. Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo. Porque jamais se ganha batalha alguma, ele disse. Nenhuma batalha sequer é lutada. O campo revela ao homem apenas sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão de filósofos e néscios.”

(William Falkner)


(*) Temos dois Jason (pai e filho), dois Quentin (tio e sobrinha) e dois Maury (tio e sobrinho, sendo que este ultimo muda de nome e passa a se chamar Benjamin).

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VIVA A MÚSICA! – Andrés Caicedo – Tradução Luis Reyes Gil – Editora Rádio Londres

Este é o único romance deste escritor colombiano (ele se matou logo depois de receber a primeira cópia impressa de sua obra prima). É um relato da viagem iniciática de uma adolescente na loucura do início dos anos 70 na cidade de Cáli… no começo confesso que não gostei, parecia aqueles livros sobre juventude rebelde publicados na década de 80… no entanto a medida em que a estória se desrenrola o livro ganha densidade até o seu final contundente, como que a medida que a protagonista vai ganhando experiência sua linguagem vai se rebuscando (a estória é narrada em primeira pessoa)… Na verdade a personagem principal não é a adolescente María del Carmem… a personagem principal é a música. No final do livro há um apêndice que mostra as diversas citações musicais que o autor fez… consultando-o eu descobri um monte de pérolas da música latina: Richie Ray e Bobby Cruz, Johnny Pacheco, Arsenio Rodrigues, o grupo La Cospiración, Mon Rivera, Yaco Monti, José Alfredo Jiménez, Tite Curet Alonso, Willie Colón, etc
VIVA A MÚSICA! – Andrés Caicedo – Tradução Luis Reyes Gil – Editora Rádio LondresEste é o único romance deste escritor colombiano (ele se matou logo depois de receber a primeira cópia impressa de sua obra prima). É um relato da viagem iniciática de uma adolescente na loucura do início dos anos 70 na cidade de Cáli… no começo confesso que não gostei, parecia aqueles livros sobre juventude rebelde publicados na década de 80… no entanto a medida em que a estória se desrenrola o livro ganha densidade até o seu final contundente, como que a medida que a protagonista vai ganhando experiência sua linguagem vai se rebuscando )a estória é narrada em primeira pessoa)… Na verdade a personagem principal não é a adolescente María del Carmem… a personagem principal é a música. No final do livro há um apêndice que mostra as diversas citações musicais que o autor fez… consultando-o eu descobri um monte de pérolas da música latina: Richie Ray e Bobby Cruz, Johnny Pacheco, Arsenio Rodrigues, o grupo La Cospiración, Mon Rivera, Yaco Monti, José Alfredo Jiménez, Tite Curet Alonso, Willie Colón, etc

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EL MATERIAL HUMANO – RODRIGO REY ROSA – Editora Alfaguara

Esta edição é espanhola, mas o livro foi publicado aqui em 2012 pela Editora Benvirá, com tradução de Josely Vianna Baptista… Neste livro, o escritor guatemalteco mistura ficção com um diário sobre suas visitas ao arquivo histórico da polícia nacional da Guatemala que ocorreram em 2005, salpicado com citações de alguns mestres da literatura (Borges, Bioy Casares, Voltaire, Zagajewski, Salvator Rosa, Stefan Zweig, etc.) … um daqueles livros que podem ser lidos em vários níveis com fios narrativos interpenetrantes (histórico, político, literário, autobiográfico, etc.)

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A EDUCAÇÃO PELA PEDRA – João Cabral de Melo Neto – Editora Alfaguara.

Na verdade esta edição é uma reunião de quatro livros deste grande poeta: Quaderna, Dois Parlamentos, Serial e A Educação Pela Pedra. Para mim um dos melhores poemas feitos em Pindorama é “Rio Sem Discurso”, mas temos outras pérolas: “Mulher Vestida de Gaiola”, “ Imitação da Água”, “ O Sim Contra o Sim”, “Tecendo a Manhã”, etc… confiram !!!

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Enfim acabei de reler À Sombra do Vulcão de Malcolm Lowry – Editora Siciliano – Tradução Leonardo Fróes. Demorou alguns anos, mas valeu a pena… para tal contei com o auxílio de um sitio da Universidade de Otago (Nova Zelândia): The Malcolm Lowry Project, que me forneceu várias explicações sobre o amontoado de citações… e para entender a relação com as obras citadas, tive que ler (ou reler) algumas delas: A Bíblia, Moby Dick (Herman Melville), Jaqueta Branca (Herman Melville), Benito Cereno (Herman Melville) Lord Jim (Joseph Conrad), O Coração das Trevas (Joseph Conrad), Fausto (Christopher Marlowe), Fausto (Goethe), Os Sofrimentos do Jovem Werther (Goethe), Alastor: Ou, O Espírito da Solidão (Percy Shelley), Kubla Khan (Samuel Coleridge), Retrato de uma Senhora (T.S. Eliot), Terra Devastada (T.S. Eliot), O Homem Oco (T.S. Eliot), A Divina Comédia (Dante Alighieri), William Shakespeare (Hamlet, Macbeth).

Li também frases ou trechos de Frei Luis Ponce de León, Calderón de La Barca, Virgílio, François Villon, Wordsworth, Jean Cocteau, W. B. Yeats, Rupert Brooke, Ralph Bates, Thomas Browne, William Shakespeare (Ricardo II, Titus Andronicus e O Mercador de Veneza) … uma das coisas que mais me marcou foi um poema de Goethe ainda não traduzido para o português: Die Wandelnde Glocke (O Sino Caminhante)… e por falar em sino, em “À Sombra do Vulcão” até o badalar de um sino é uma citação:

“De repente, um sino clamou de fora, para se calar bruscamente: dolente… dolore!”(*) (Malcolm Lowry – Tradução Leonardo Fróes)

(*) As palavras dolente e dolore estão na inscrição acima da porta do inferno no canto III da Divina Comédia de Dante Alighieri.

Per me si va ne la città dolente / per me si va ne l’etterno dolore (através de mim você entra na cidade lamentável / através de mim você entra no sofrimento eterno)

Agora me resta copilar tudo o que li e escrever um prefácio explicativo

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HOMENAGEM A JOÃO CABRAL DE MELO NETO

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ARQUIVO DAS CRIANÇAS PERDIDAS – Valeria Luiselli – Editora Alfaguara

Uma mulher lê para seu enteado de dez anos um livro curto sobre crianças que atravessam desertos e selvas em um trem para fugir para outro país… é um livro dentro da estória de Valeria Luiselli, escrito pela italiana Ella Camposanto chamado “Elegias para Crianças Perdidas”… quando os personagens de um livro e o leitor compartilham um outro texto, eles estabelecem um elo… porém do mesmo jeito que os personagens são uma ficção para o leitor, o leitor também pode ser uma ficção para os personagens…

Estes jogos intertextuais não são novos… Cervantes já utilizava algo semelhante na segunda parte de Dom Quixote… mas mesmo assim, eu tenho imenso prazer quando me deparo com este tipo de texto… Porém mesmo quem não é afeito a este nível de leitura, vai adorar “Arquivo das Crianças Perdidas”: é um romance social (aborda o problema das crianças refugiadas que cruzam a fronteira americana), histórico (aborda o período final dos Apaches), geográfico (a família protagonista se desloca de Nova Iorque até o Arizona parando em diversos lugares), psicológico (há uma mudança do foco narrativo e a estória passa a ser narrada pelo menino de dez anos, esta parte é quase um tratado de psicologia infantil), e muito mais…

Para mim entretanto, ler é que nem entrar em um oceano….você pode nadar na superfície, mas pode também mergulhar até as profundezas (e muitas vezes encontrar tesouros)… Este livro é uma fonte riquíssima para os que gostam de se aprofundar nos abismos da linguagem… por exemplo: Ella Camposanto é uma invenção da Valeria Luiselli e seu “livro dentro do livro” possui um monte de citações, em especial do primeiro dos Cantos de Erza Pound, que por sua vez é um eco do canto XI da Odisséia de Homero… ou seja a literatura ecoando desde a antiguidade… não por acaso um dos locais chave no livro se chama o cânion do Eco (que pelo que eu pesquisei pela internet, também não existe)… Divirtam-se.

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O DUELO – Joseph Conrad – Tradução: Eduardo Marks de Marques – Editora Grua Livros

Acabei de ler “O Duelo” de Joseph Conrad… uma novela sobre uma série de duelos entre dois oficiais franceses durante as guerras napoleônicas e o periodo da restauração… vale a pena ler… é uma metáfora sobre nossa manias de eleger inimigos em nossos meios profissionais por meras picuinhas…

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