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Acabei de ler “Dublin ao Sul” de Isidoro Blaisten ( editora A Girafa ), leiam um pedaço:

“’Àries: signo de energia criadora, de açôes rápidas, de decisões repentinas, vôo anímico que o leva a alturas insuspeitadas, e já estou ouvindo a música do final, quando o boxeador aturdido se levanta de repente, quando dá ali ao lado do ringue com o rosto da mocinha, que veio correndo e está olhando para ele, e se levanta e se acomete e acaba com o pobre diabo contra as cordas, e está meio morto mas continua batendo do mesmo jeito, e e lhe dá de todo modo até que o árbitro tem que pará-lo, porque senão o mata, e ao final lhe levanta a mão. Que música, essa, gordo! Pobres deles! A mão levantada, o rosto banhado de sangue e os olhos da mocinha que choram em primeiro plano. Pobres deles, ! Que merda sabem. Olhe, cada vez que estou bem altruísticamente motivado, com vôo anímico, autenticamente natural, sinto essa música dentro de mim, a cada momento. E a do ferroviário que, no final, faz explodir a bomba ente as balas dos nazistas que o estão ferrando a tiros? E a do velhinho lutando sozinho com o mar? E a do tenor paralítico que, quando a ópera está quase acabando, rapidamente se levanta, e caminha, e passa a cantar, e o teatro vem abaixo com aplausos? O que sabem esses? Eu sinto vozes quando ouço essas músicas …”

( Isidoro Blaisten Рtradṳ̣o : Mauro Gama )

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