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{ Tag Archives } Citações

Sobre livros:

Acabei de ler “Ar de Dylan” de Enrique Vila-Matas, livraço… interessante que tem uma passagem que fala sobre o fim do mundo, assunto tão em voga nestes últimos dias:

“… Débora comentou, e perguntou se eu sabia que o filósofo sueco Swedenborg havia escrito, em fins do século XVIII, que o dia do Juízo Final havia ocorrido em 9 de janeiro de 1757. Eu sabia, respondi. Swedenborg foi o primeiro homem a nos avisar que o Juízo já havia ocorrido, disse ela, é verdade, respondi, também acredito que esse Juízo, de fato, já ocorreu; é curioso como os informativos da televisão, por exemplo jamais levam em conta esse dado, é como se informassem sem saber que, por exemplo a Revolução Francesa aconteceu já faz alguns anos.”

(Enrique Vila-Matas)

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“SOMOS O COLETIVO GERAÇÃO PERGUNTA.
O DIA PARA DESOBEDECER ORDENS.
PASSATEMPO DE NÓS MESMOS.
MISTÉRIOS DE NUNCA ONDE.

SOMOS O RESTO DA VIDA.”

(Suzana Cano)

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Citação do dia:

“Não evoluo, VIAJO.”

(Fernando Pessoa)

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Acabei de ler “As Armas Secretas” de Júlio Cortázar. Fiquem com um fragmento:

– O problema é que eles se acham uns sábios- diz de repente. – Eles se acham muito sábios porque juntaram um montão de livros, e comeram todos. Isso me faz dar risada, porque na verdade são boa gente e vivem convencidos de que o que estudam e o que fazem são coisas difíceis e profundas. No circo é a mesma coisa, (…), e com a gente é a mesma coisa. As pessoas acham que algumas coisas são o máximo da dificuldade,e por isso aplaudem o trapezista, ou me aplaudem. Eu não sei o que imaginam, que eu estou ma arrebentando para tocar bem, ou que o trapezista rompe os tendões cada vez que dá um salto. Na verdade as coisas verdadeiramente difíceis são outras tão diferentes, tudo que a gente acha que pode fazer a qualquer momento. Olhar, por exemplo, ou compreender um cão ou um gato. Essas são as dificuldades, as grandes dificuldades.

( Júlio Cortázar – Tadução: Eric Nepomuceno )

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Acabei de ler “Rogério Duprat: sonoridades múltiplas” de Regiane Gaúna (Editora Unesp). Neste livro são mostrados os processos composicionais do brilhante músico mostrando sua face de compositor, arranjador e criador de trilhas sonoras. São mostrados também pensamentos e aforismos como os abaixo-mencionados, em que Rogério Duprat usa a ortografia criada por José Joaquim de Sousa Leão, conhecido como Qorpo Santo, um dramaturgo gaúcho nascido no século XIX…

– Dos antigos artistas, de 45 anos ou mais, dos qe participaram ou não das “vanguardas” dos anos 50 e 60, alguns proségem fazendo obras, asinando-as, preocupados qom suas qarreiras. Outros vês ésas qoisas qomo fraqezas do pasádo, preferindo o novo enqatado mundo anônimo e qoletivo. Entre os mais jovens, uns ségem as pegadas de seus pais e avós busqando glória e sucéso, obra individual. Outros desbravam as pegadas perigozas e emosionantes da inserteza, asosiando novas teqnologias a novos qomportamentos, menos personalistas. Assim são as qoizas. Temos que aprender a qonviver com a diversidade.

РEu semiotizo, tu semiotizas, ele qe ṇo ̩ tatu, pula fora.

(Rogério Duprat )

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Citação do dia:

“O público é uma criança mal-educada que é preciso corrigir.”

( Paul Verlaine )

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Citação do dia:

“Todo cérebro bem conformado traz em si dois infinitos, o céu e o inferno, e em toda imagem de um desses infinitos reconhece subitamente a metade dele próprio.”

( Charle Baudelaire )

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Continuo a ler as críticas de arte de Baudelaire, e me deparo com um ensaio em que ele compara um salão de arte (exposição coletiva) moderno com um museu antigo, e o resultado é que o museu antigo possui mais unidade… o escritor francês profetiza a mistureba que se tornaria a arte atual, segundo ele fruto da glorificação do indivíduo, onde sem escolas ou grupos artísticos dominantes, cada um faz o que quer… não temos mais os coloristas brigando com os desenhistas, os cubistas enfrentando os expressionistas, a turma da bossa nova contra a turma da tropicália, o pessoal do cinema novo contra o pessoal do cinema marginal, poesia concreta versus a poesia práxis… hoje pode tudo e ninguém liga mais para estas coisas… em compensação a arte (pintura, música, cinema, literatura, etc) está cada vez pior, uma “desordem fervilhante de mediocridades” como bem expressou este sábio escritor: fiquem com um pedaço do texto:

“Comparai o momento presente com o tempo passado; ao sairdes do salão ou de uma igreja decorada recentemente, ide repousar vossos olhos num museu antigo, e analisai as diferenças.
Num, turbulência, confusão de estilos e cores, cacofonia de tons, trivialidades enormes, prosaísmo de gestos e atitudes, nobreza de convenção, clichês de toda sorte, e tudo isto visível e claro, não apenas nos quadros justapostos, mas também no mesmo quadro: em suma – ausência completa de unidade, cujo resultado é um cansaço horrível para o espírito e para os olhos.
No outro, este respeito que leva as crianças a tirarem o chapéu, e se apodera da vossa alma, como a poeira dos túmulos e das covas se apodera da vossa garganta: é o efeito, não do verniz amarelo e da sujeira do tempo, e sim da unidade, da unidade profunda.
(…) Esta glorificação do individuo exigiu a divisão infinita do território da arte. A liberdade absoluta e divergente de cada um, a divisão dos esforços e o fracionamento da vontade humana ocasionaram esta fraqueza, esta dúvida e esta pobreza de invenção.; alguns excêntricos, sublimes e sofredores, compensam mal esta desordem fervilhante de mediocridades. A individualidade – esta pequena propriedade – comeu a originalidade coletiva; (…)”

( Charles Baudelaire )

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Citação do dia:

LA VOIX

Mon berceau s’adossait à la bibliothèque,
Babel sombre, où roman, science, fabliau,
Tout, la cendre latine et la poussière grecque,
Se mêlaient. J’était haut comme un in-folio.
Deux voix me parlaient. L’une, insidieuse et ferme,
Disait: «La Terre est un gâteau plein de douceur;
Je puis (et ton plaisir serait alors sans terme!)
Te faire un appétit d’une égale grosseur.»
Et l’autre: «Viens! oh! viens voyager dans les rêves,
Au delà du possible, au delà du connu!»
Et celle-là chantait comme le vent des grèves,
Fantôme vagissant, on ne sait d’où venu,
Qui caresse l’oreille et cependant l’effraie.
Je te répondis: «Oui! douce voix!» C’est d’alors
Que date ce qu’on peut, hélas! nommer ma plaie
Et ma fatalité. Derrière les décors
De l’existence immense, au plus noir de l’abîme,
Je vois distinctement des mondes singuliers,
Et, de ma clairvoyance extatique victime,
Je traîne des serpents qui mordent mes souliers.
Et c’est depuis ce temps que, pareil aux prophètes,
J’aime si tendrement le désert et la mer;
Que je ris dans les deuils et pleure dans les fêtes,
Et trouve un goût suave au vin le plus amer;
Que je prends très souvent les faits pour des mensonges,
Et que, les yeux au ciel, je tombe dans des trous.
Mais la voix me console et dit: «Garde tes songes:
Les sages n’en ont pas d’aussi beaux que les fous!» (*)

(*) A VOZ

Meu berço ao pé da biblioteca se estendia,
Babel onde a ficção e ciência, tudo, o espolio
Da cinza negra ao pó do Lácio se fundia.
Eu tinha ali a mesma altura de um in-fólio.
Duas vozes ouvi. Uma, insidiosa, a mim
Dizia: “A Terra é um bolo apetitoso à goela;
Eu posso (e teu prazer seria então sem fim!)
Dar-te uma gula tão imensa quanto a dela.”
A outra: “Vem! Vem viajar nos sonhos que semeias,
Além da realidade e do que além é infindo!”
E essa cantava como o vento nas areias,
Fantasma não se sabe ao certo de onde vindo,
Que o ouvido ao mesmo tempo atemoriza e afaga.
Eu te respondi: “Sim, doce voz!” É de então
Que data o que afinal se diz ser minha chaga,
Minha fatalidade. E por trás de telão
Dessa existência imensa, e no mais negro abismo,
Distintamente eu vejo os mundos singulares,
E, vítima do lúcido êxtase em que cismo,
Arrasto répteis a morder-me os calcanhares.
E assim como um profeta é que, desde esse dia,
Amo o deserto e a solidão do mar largo;
Que sorrio no luto e choro na alegria,
E apraz-me como suave o vinho mais amargo;
Que os fatos mais sombrios tomo por risonhos,
E que, de olhos no céu, tropeço e avanço aos poucos.
Mas a voz consola e diz: “Guarda teus sonhos:
Os sábios não os têm tão belos quanto os loucos!

( Charles Baudelaire Рtradṳ̣o: Ivan Junqueira)

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A citação do dia vem de um livro de um californiano filho de armênios chamado William Saroyan publicado pelo meu avô em 1947, leiam:

PRECE COMUM

As planuras, Senhor, todos os silêncios da mente, os corredores perdidos, os pilares, os lugares por onde caminhamos, os rostos que vimos e as vozes das criancinhas. Mas acima de tudo, os hieróglifos, a santidade, a figura talhada de pedra, a linha tão simples, a nossa linguagem, a curva articulada, digamos, da folha, do sonho e do sorriso, a mão que tomba, os membros que se tocam, amor de universos, nenhum temor à morte e alguma nostalgia. Sim, e a luz, nosso sol, Senhor, e o sol de homens desconhecidos, as manhãs perdidas no tempo de gigantes e pigmeus em toda parte, um homem chamado Bach, outro chamado Cezanne e os outros, de nomes perdidos, as multidões agora se reúnem em uma única, anônima, nosso rosto, o lamento de multidões anônimas, nossa forma, estatura, homens caminhando sob a luz, em muitos lugares, para começar na Ásia, Europa, África, e através do mar fluido da mente, Atlântico, rumo oeste para este lugar, América, os fuzileiros navais em parada, o sorriso do pálido Wilson, liberdade para a Lituânia, viva a Polônia, e os condados do Texas, melancias e miséria, nossas graças a vós, oh Senhor. Também para os numerais para que se possa arquivar a nossa dor em fichas: um para tristeza, dois para dor, três para a loucura e mil e dez mil e o reconhecimento da eternidade, anos alegres, a barba de Darwin, digamos os olhos de Einstein, presumamos, os dedos do grande pianista polonês e assumamos todas as coisas numericamente, a riqueza de Ford, de Mellon, a miséria de – pensemos em um nome digno – de Pound, digamos, ou ainda, do desconhecido, do jovem anônimo do Município de Clay, em Iowa, sozinho, sentado, escrevendo histórias para Deus e para o Saturday Evening Post – isto é, a idéia da coisa, o anonimato do horror, a solidão, esperando pela fama e uma breve nota, você, o nome, meu rapaz, você é famoso, um conto publicado no Post, graças, oh Senhor!

( William Saroyan Рtradṳ̣o: James Amado )

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